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Farra

Senadores do PT e do MDB usaram dinheiro público para bancar vinhos, drinks e cerveja, revela Portal

Regimento veda uso de cota parlamentar para bebidas alcoólicas. O Senado, então, determinou auditoria após o levantamento
Redação
05/07/2025 | 09:07

Além de contar com salário e auxílios das mais variadas espécies, congressistas têm a prerrogativa de usar recursos públicos para gastos típicos do mandato, como aluguel de veículos e alimentação — verba conhecida como cota parlamentar. Levantamento exclusivo do Metrópoles, entretanto, identificou que ao menos dois senadores usaram a verba indenizatória para custear bebidas alcoólicas, como vinhos, drinks e cerveja. São eles: Humberto Costa (PT-PE) e Giordano (MDB-SP).

Em um dos casos, durante almoço em abril deste ano, o senador Giordano gastou R$ 330,41 em um restaurante italiano, na Vila Guilherme, em São Paulo (SP). Desse total, o Senado Federal apenas não reembolsou R$ 38,01, valor referente à gorjeta paga pelo parlamentar. O dinheiro público, no entanto, pagou por Fragole Lambrusco, drink que mistura um vinho frisante com morango fresco.

Senado aprova teto para salário mínimo e mudanças no BPC - Foto: Pedro França/Agência Senado
O Senado Federal acabou pagando por uma bebida descrita como “GT Britânica”. Foto; Pedro França

Meses antes, em fevereiro de 2025, o político pagou R$ 43 em um drink descrito como “Aperol Spritz”, às 17h de um sábado. Foram gastos R$ 285,89 em um dos mais badalados estabelecimentos gastronômicos de Brasília durante, o que seria, uma atividade parlamentar. Apenas a gorjeta de R$ 32,89 foi subtraída do valor final, e o Senado bancou os R$ 253 restantes, o que inclui o drink.

Cerveja e vinho para petista

Atual presidente nacional do Partido dos Trabalhadores (PT), Humberto Costa também se destaca quando o assunto é gasto com alimentação pago pelo Senado Federal. Em janeiro do ano passado, ele comeu em um bistrô próximo à orla da praia de Boa Viagem, no Recife (PE), na tarde de um sábado. Na ocasião, o político gastou R$ 50 com o vinho Bois Mirail e, ainda assim, a conta foi reembolsada pelo Senado.

O mesmo ocorreu durante uma sexta-feira em novembro, quando o parlamentar novamente pagou pelo mesmo vinho no estabelecimento. O Metrópoles identificou outras três notas, todas também de 2024, em que o senador teve reembolsos por bebidas alcoólicas, como chope e cervejas.

Em março do ano passado, o petista jantou em um restaurante da Asa Sul, em Brasília. O Senado Federal, embora tenha deixado de fora do reembolso drinks com rum e a gorjeta, acabou pagando por uma bebida descrita como “GT Britânica”. No cardápio do local, a bebida é detalhada como sendo feita com gin, frutas vermelhas, limão siciliano, chá inglês e água tônica.

Veja reembolsos do Senado com bebidas alcoólicas

  • Drink Fragole Lambrusco – R$ 42 (Giordano, em 16 de abril de 2025)
  • Drink Aperol Spritz – R$ 43 (Giordano, em 1º de fevereiro de 2025)
  • Vinho tinto Bois Mirail – R$ 50 (Humberto Costa, em 20 de janeiro de 2024)
  • Cerveja Cusqueña Clássica – R$ 16,00 (Humberto Costa, em 7 de março de 2024)
  • Gin Tônica Britânica – R$ 13,32 (Humberto Costa, em 19 de março de 2024)
  • Chope e cerveja Lagunitas – R$ 14 e R$ 24 (Humberto Costa, em 23 de junho de 2024)
  • Vinho tinto Bois Mirail – R$ 25 (Humberto Costa, em 15 de novembro de 2024)

Total de R$ 227,32

Senadores alegam erro

Procurado pelo Metrópoles, Giordano confirmou que o reembolso das bebidas alcoólicas foi, de fato, feito pelo setor responsável no Senado Federal. “Todavia, as descrições dos itens nas notas fiscais apresentadas não deixaram claras as referências a bebidas alcoólicas, uma vez que até mesmo a área responsável pelos reembolsos de gastos parlamentares do Senado não detectaram o erro”, apontou o senador em nota.

O parlamentar ainda disse que, não havendo má-fé na apropriação do valor reembolsado que representa valores baixos e sendo um erro na interpretação da nota fiscal, o gabinete se compromete a devolver os valores dos gastos citados.

Já Humberto Costa alegou que, em respeito às normas do Senado, eventuais bebidas alcoólicas consumidas são sempre retiradas das notas fiscais a pedido do próprio senador. “No caso dessas cinco elencadas, ocorreram erros no controle, entre eles, por responsabilidade do próprio Senado. Muitas vezes, por falha ou impossibilidade, o estabelecimento comercial não exclui diretamente o item dos cupons fiscais, apesar de solicitado”, esclareceu.

O gabinete informou que busca fazer um controle prévio e retirar eventuais itens não passíveis de ressarcimento que haja nas notas, quando consegue, pelo nome ou abreviação, identificá-los como tal. A assessoria certificou que não percebeu, pelo nome, que bebidas GT Britânica e o vinho Bois Mirail fossem alcoólicas.

Por outro lado, a equipe do parlamentar assegurou que, em outros casos envolvendo chope e cerveja, houve erros do Senado. Por exemplo, a área técnica da casa legislativa, segundo a assessoria de Humberto Costa, descontou apenas uma unidade da “Cusquenã”, cerveja peruana, em vez de duas, mesmo sendo solicitado pelo gabinete do parlamentar.