O prefeito de Cabedelo, na Região Metropolitana de João Pessoa, Edvaldo Neto (Avante), foi afastado do cargo nesta terça-feira 14 durante a deflagração da Operação Cítrico. A ação foi conduzida pelo Grupo de Atuação Especial contra o Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público da Paraíba, em conjunto com a Polícia Federal. O gestor é investigado por suspeita de envolvimento em um esquema de fraudes em licitações que pode ter provocado desvios de até R$ 273 milhões.
De acordo com as apurações, a administração municipal teria sido infiltrada pela facção criminosa conhecida como “Tropa do Amigão”, apontada como um braço do Comando Vermelho na região. A operação busca desarticular um esquema de corrupção que, segundo os investigadores, utilizava contratos públicos como instrumento de financiamento e fortalecimento do crime organizado.

Além do prefeito, outros três servidores da Prefeitura de Cabedelo também foram afastados. Procurada, a gestão municipal não se manifestou até o momento. O espaço segue aberto para posicionamento.
Segundo os órgãos de investigação, haveria a atuação de um “consórcio político-criminoso” formado por agentes públicos, empresários e integrantes da facção. Esse grupo teria utilizado a máquina pública para consolidar poder, garantir controle territorial e financiar atividades ilícitas.
As investigações apontam que o esquema operava por meio da empresa Lemon Terceirização e Serviços Ltda., que seria utilizada para inserir indicados da organização criminosa na administração municipal. As contratações direcionadas permitiriam o desvio de recursos públicos, disfarçados como pagamentos de mão de obra. Em contrapartida, a facção asseguraria estabilidade política e redução de conflitos armados na região.
Para o Gaeco, as provas indicam a existência de um sistema de troca entre a facção e a gestão municipal, envolvendo apoio territorial em troca de cargos e contratações. Ao todo, o Tribunal de Justiça da Paraíba expediu 21 mandados de busca e apreensão no âmbito da operação.
A Polícia Federal também identificou indícios de infiltração de integrantes do crime organizado na estrutura da Prefeitura de Cabedelo, além da circulação de recursos públicos em benefício da facção. Segundo a corporação, contratos administrativos teriam sido utilizados como instrumentos de manutenção de poder, influência territorial e blindagem institucional.
Ainda de acordo com o Gaeco, a investigação aponta que Edvaldo Neto teria operado uma “folha paralela” na prefeitura e autorizado pagamentos clandestinos após uma ruptura momentânea no acordo entre os faccionados e a gestão municipal.
A Polícia Federal afirma ter identificado um fluxo financeiro ilícito oriundo de contratos públicos, além de uma rede de vínculos pessoais e institucionais entre agentes públicos e operadores privados. As autoridades também apontam o uso da estrutura estatal como braço logístico e financeiro da organização criminosa.
Edvaldo Neto foi eleito prefeito no último domingo (12), em eleição suplementar, ao derrotar Walber Virgolino (PL). Antes disso, já exercia interinamente o cargo após renunciar à presidência da Câmara Municipal em 15 de dezembro do ano passado.
A eleição extraordinária ocorreu após a cassação do ex-prefeito André Coutinho e da vice-prefeita Camila Holanda, em dezembro, por irregularidades no pleito de 2024. Ambos foram acusados de compra de votos e de ligação com facções criminosas, denúncias que negam.