A Polícia Federal apreendeu pelo menos R$ 30 milhões em dinheiro e bens em investigações sobre possíveis crimes eleitorais desde janeiro de 2026. O valor é três vezes superior aos R$ 10 milhões registrados durante todo o ano eleitoral de 2022.
No Rio Grande do Norte, a corporação instaurou 46 inquéritos, dos quais 23 investigam indícios de caixa dois. Entre os casos está a Operação Sem Lastro, que atingiu o deputado estadual Luiz Eduardo (PL), candidato à reeleição.

Dos R$ 30 milhões apreendidos no País, R$ 19 milhões correspondem a dinheiro em espécie encontrado com candidatos ou intermediários. Outros R$ 11 milhões representam o valor estimado de bens recolhidos, como veículos, imóveis e celulares. O volume ainda é inferior aos R$ 63 milhões registrados nas eleições municipais de 2024.
A apreensão, isoladamente, não comprova a ocorrência de crime eleitoral. Os investigadores procuram identificar a origem e a destinação dos recursos e possíveis relações com compra de votos ou movimentações de campanha não declaradas à Justiça Eleitoral.
Operação Sem Lastro no RN
Deflagrada em 14 de setembro, a Operação Sem Lastro cumpriu dois mandados de busca e apreensão em Natal, autorizados pela Justiça Eleitoral. Foram recolhidos mais de R$ 1,5 milhão em espécie, celulares, documentos e equipamentos eletrônicos.
A investigação apura suspeitas de falsidade ideológica eleitoral e utilização de recursos não declarados em atividades de campanha.
Inicialmente, a PF não divulgou o nome do parlamentar. O Correio de Hoje confirmou que Luiz Eduardo era alvo da investigação.
Após a operação, a defesa afirmou que a investigação teve como ponto de partida saques de contas bancárias do próprio deputado e sustentou que a movimentação era lícita, declarada e documentalmente comprovável. Também informou que o dinheiro permanecia guardado na residência e não havia sido utilizado.
“Não há caixa dois sem recurso arrecadado à margem da prestação de contas ou aplicação de despesas de campanha”, argumentou a defesa em nota.
A PF informou que aprofundaria a análise sobre a origem, o destino e uma eventual relação do dinheiro com a campanha, sem anunciar comprovação de uso eleitoral dos recursos.
Apreensões pelo País
Roraima registrou a maior apreensão isolada do ano. Em 4 de setembro, policiais encontraram R$ 4 milhões em notas durante abordagem a um empresário e um policial militar. A investigação busca esclarecer eventual ligação do dinheiro com a campanha da deputada federal Helena da Asatur (PSD-RR) ao Senado.
Tocantins acumula R$ 4,4 milhões em apreensões e o Pará, R$ 3,29 milhões.
Até a última atualização apresentada pelo jornal, a PF havia instaurado 1.217 inquéritos sobre crimes eleitorais. O Rio de Janeiro concentrava 137 procedimentos; Maranhão, 121; Ceará, 115; São Paulo, 91; e Paraná, 73.