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Parnamirim
Maurício nega ter deixado “rombo” na Prefeitura e diz que foi traído por Taveira
Declaração foi uma resposta ao atual gestor, que tem dito que herdou Prefeitura “quebrada” e que não executou obras porque orçamento foi exaurido pelo pagamento de dívidas
Redação
17/12/2019 | 02:00

O ex-prefeito de Parnamirim Maurício Marques negou que tenha deixado para o sucessor, o atual prefeito Rosano Taveira, um “rombo” nas finanças da Prefeitura. Segundo o ex-gestor, o próprio relatório da transição de governo aponta para uma dívida de apenas R$ 45 milhões – que, na opinião dele, poderia ser abatida nos meses subsequentes à posse, já que a arrecadação média do Município é de R$ 33 milhões por mês.

A declaração de Maurício foi uma resposta a Taveira, que, desde o início da gestão, tem dito que herdou uma Prefeitura “quebrada” e que não executou mais obras porque o orçamento foi exaurido pelo pagamento de dívidas. Para atacar o problema, inclusive, o prefeito adotou uma série de medidas de arrocho após acordo firmado com o Ministério Público de Contas.

Em entrevista ao programa “A Hora é Agora”, da rádio Agora FM (97,9), o ex-prefeito repudiou as críticas do atual gestor e listou obras que foram entregues durante o seu governo a partir da administração de um orçamento semelhante ao de Taveira. Segundo ele, foram construídas no seu governo nove escolas e nove centros infantis, na área de educação; e nove unidades básicas de saúde, o Centro Clínico (CCPAR) e a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Nova Esperança, na saúde. Ele também mencionou a pavimentação de mais de 600 ruas e a expansão de 33 para 53 equipes do programa de saúde da família.

“Num passado recente, Parnamirim era um canteiro de obras. Gestores que assumem que não têm planejamento, que não têm boa assessoria e que esquecem o compromisso em praça pública começam a falar do gestor que saiu e esquecem de trabalhar. Não temos obra em Parnamirim”, declarou Maurício, acrescentando que, enquanto faltam obras na cidade, a Prefeitura pediu autorização da Câmara para alocar R$ 2,3 milhões em publicidade institucional.

Em uma conta rápida, o ex-prefeito afirmou que, considerando R$ 33 milhões como a média da arrecadação da Prefeitura de Parnamirim todos os meses, a gestão de Taveira já recolheu mais de R$ 1,1 bilhão para os cofres públicos municipais. “E por que não tem obra?”, questiona Maurício.

Segundo Maurício, pesquisas internas apontam que Taveira tem a gestão reprovada por 44% dos parnamirinenses e que, dos 28% que o aprovam, a metade não pretende votar no atual prefeito caso ele concorra à reeleição em 2020. “Ele não está fazendo um bom governo. Foi eleito e não está cumprindo o mandato”, afirmou.

Prefeito de Parnamirim entre 2009 e 2016, Maurício apoiou a eleição de Taveira, mas agora se diz de oposição. O ex-prefeito relata que se sentiu “traído” pelo sucessor depois da posse. Maurício reclamou, por exemplo, da exoneração de sua mulher, Kátia Palhano, da Secretaria de Tributação – o que entendeu como um gesto de “ingratidão” do à época prefeito recém-empossado.

“Eu não consegui manter uma secretária-adjunta, que estava no cargo desde a gestão de Agnelo Alves (2001-2008), portanto, antes de mim”, enfatizou.

O ex-prefeito lembrou de um episódio que ele diz ter acontecido em 2012. Ele afirmou que, na ocasião, pretendia ser candidato à reeleição tendo Taveira – então presidente da Câmara Municipal – como candidato a vice, mas a ideia teria sido vetada por Agnelo Alves, seu mentor político. “Ele disse: ‘se você lançar, vou romper com você e apoiar Gilson Moura (então candidato da oposição). Esse cidadão não tem palavra, não tem compromisso. No dicionário dele, tem duas palavras que não se encaixam: lealdade e gratidão’”, afirmou Maurício.

Nas eleições de 2012, Maurício Marques acabou concorrendo contra Gilson Moura com o apoio de Agnelo e tendo Lucinha Thiago como candidata a vice. A chapa venceu as eleições com 43,6 mil votos. Em 2016, o então prefeito decidiu apoiar Taveira após o então pré-candidato Naur Ferreira desistir de concorrer. “Em 2016, eu esqueci essas particularidades (supostamente ditas por Agnelo)”, afirmou.

Maurício enfatizou que sua decisão de apoiar Rosano Taveira foi baseada no fato de ele acreditar que, caso fosse eleito, o novo prefeito “seria um homem que iria cumprir as palavras e fechar um ciclo de 20 anos de governo planejado por Agnelo Alves”. Segundo o ex-prefeito, contudo, após a campanha e principalmente depois da posse, houve “uma certa mudança na personalidade e no comportamento”.

O ex-prefeito disse estar disposto a participar das eleições de 2020, seja apoiando um candidato ou ele próprio tentando retornar à Prefeitura. Ele defendeu também a união dos candidatos de oposição – citando até o ex-deputado estadual Carlos Augusto Maia, que foi adversário de Taveira em 2016. “Estou à disposição para o bom combate”, encerrou.

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