O presidente e candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva (PT) votou na manhã deste domingo 4 na Escola Estadual João Firmino, no bairro Assunção, em São Bernardo do Campo, no ABC Paulista. Após deixar a seção eleitoral, Lula conversou com jornalistas, afirmou estar confiante na vitória e defendeu mudanças na forma de escolha dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).
“Hoje é um dia glorioso para o país. Uma página virada. Estou confiante na vitória e certo de que temos participação em nível nacional. Estou certo de que podemos ganhar as eleições”, afirmou.

Durante a declaração, Lula pediu que os eleitores considerem o futuro do País e das próximas gerações no momento de votar. “As pessoas têm que votar pensando no Brasil, nos filhos, nos netos, no futuro que vão deixar”, disse.
Ao avaliar o próprio governo, o presidente afirmou que considera que houve avanços, mas que ainda há medidas a serem adotadas. “Estou confiante no governo que fizemos. Confiante de que fizemos muito no governo e de que temos que fazer muito ainda. São 500 anos de atraso, e precisa de tempo para consertar”, declarou.
Lula citou inflação e educação entre as áreas de sua gestão. “Conseguimos recuperar o Brasil, melhorar a inflação, fizemos uma revolução na educação do país, mas ainda falta muito para que o Brasil tenha certeza de que seu futuro está garantido.”
Na sequência, o candidato criticou a venda de armas e a atuação de milicianos. “O Brasil não vai para a frente com venda de armas, mas com distribuição de livros. Não vai para a frente com milicianos, com orgia em torno do Banco Master, vai com o caráter dos seus governantes”, afirmou.
O presidente também manifestou confiança nas candidaturas de Fernando Haddad, Marina Silva e Simone Tebet. “O jogo está jogado e, às 17h, vamos ver que tipo de país o povo escolheu. Estou confiante na vitória do Haddad, da Marina, da Simone. São Paulo nunca teve a chance de votar em mulheres dessa qualidade. Vai depender do povo.”
Lula chegou ao local de votação acompanhado do candidato a vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), do candidato ao Governo de São Paulo Fernando Haddad (PT), das candidatas ao Senado Simone Tebet (PSB) e Marina Silva (Rede) e do ministro da Saúde, Alexandre Padilha.
Lula defende mudanças no STF
Ao comentar a composição do Supremo Tribunal Federal, Lula afirmou que pretende discutir alterações nos critérios utilizados para a escolha dos integrantes da Corte. O presidente também criticou o que classificou como “promiscuidade” no País.
“Não é possível continuar com a promiscuidade em que o país está. Eu, sinceramente, [trecho incompreensível], vamos ter que pensar, chamar juristas, pessoas do mundo do Direito, para [definir] quem vai para a Suprema Corte”, disse.
Entre as mudanças mencionadas por Lula está a criação de um período determinado de mandato para os ministros. Ele também defendeu a formação de um conselho para discutir as indicações e maior participação feminina na composição do STF.
“A primeira reforma fui eu que fiz. Quero fazer uma nova reforma e definir o tempo de mandato da Suprema Corte, que quem for [para lá] não é para ser rico. Quero montar um conselho para quem vai para a Suprema Corte. Acho que a Suprema Corte precisa de mais mulheres”, afirmou.
Ao final da entrevista, Lula voltou a abordar a educação e disse que o País precisa preparar os jovens para as transformações tecnológicas e energéticas. “O futuro desse país está garantido se continuarmos acreditando na educação, preparando jovens para a revolução digital, energética.”
A campanha de Lula, assim como a de Flávio Bolsonaro (PL), concentrou em São Paulo os últimos atos antes do primeiro turno. O estado reúne 34,1 milhões de eleitores e é o maior colégio eleitoral do País.
Na eleição anterior, Lula obteve 44,8% dos votos válidos em São Paulo, enquanto o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) recebeu 55,2%. A diferença entre os dois no estado foi de 2,7 milhões de votos.