O candidato ao Governo do Rio Grande do Norte Allyson (União) acusou o atual comando do governo estadual de usar a máquina para influenciar na eleição, favorecendo o candidato Cadu de Lula (PT). O ex-prefeito de Mossoró deu a declaração ao avaliar o resultado das urnas, que segundo ele evidenciaram o desejo da maioria do eleitorado por mudança.
“Mais de 60% do Estado foi contra a máquina do Estado, que moeu, moeu nesta semana. Eu vi”, afirmou nesta segunda-feira 5. Na declaração, Allyson não especificou quais órgãos, agentes públicos ou ações estariam envolvidos na acusação.

Com todas as urnas apuradas, Allyson recebeu 733.809 votos, equivalentes a 36,94% dos válidos, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Seu principal adversário foi Cadu de Lula, que obteve 718.300 votos, ou 36,16%. A diferença entre os dois foi de 15.509 votos, correspondente a 0,78 ponto percentual. Os dois vão disputar o segundo turno da eleição em 25 de outubro. ex-prefeito de Natal Álvaro Dias (PL) ficou em terceiro lugar, com 530.580 votos e 26,71%, encerrando sua participação na disputa pelo governo.
Ex-secretário estadual da Fazenda, Cadu tem o apoio da governadora Fátima Bezerra (PT) — que reiterou ao longo do 1º turno seu envolvimento direto na campanha do aliado.
Logo após ser confirmado no segundo turno, ainda no domingo 4, Allyson enfatizou o fato dos dois candidatos de oposição — ele e Álvaro Dias — terem totalizado 63,65% dos votos válidos. “O Estado quer mudança. Mais de 60% do Rio Grande do Norte disse que quer mudar. Mais de 60% disseram que não aceita a forma como o Estado está sendo administrado. Então, essa resposta que o RN deu hoje foi muito clara”, declarou.
Questionado sobre a possibilidade de conversar com líderes da direita bolsonarista e com o senador Rogério Marinho (PL), líder do grupo no RN, Allyson disse apenas que manterá o projeto apresentado durante a campanha. Defendeu colocar o Rio Grande do Norte acima de ideologias, partidos e posições políticas e não anunciou tentativa de acordo com o senador. Ao longo do 1º turno, Allyson buscou distância da polarização entre esquerda e direita.
“O que nós vamos fazer agora é conversar, é dialogar com amigos prefeitos que não nos apoiaram”, declarou. A intenção, segundo ele, é procurar também lideranças com mandato, candidatos que foram eleitos, outros que não conseguiram se eleger e representantes políticos sem mandato.
Allyson afirmou que pretende conduzir a nova etapa da disputa com humildade. “Vamos fazer um processo de disputa agora muito claro, muito pé no chão, com muita humildade”, disse.
O candidato também prometeu ampliar a mobilização em relação ao primeiro turno. Ao avaliar o trabalho realizado desde o início da campanha, em 16 de agosto deste ano, afirmou estar mais animado para percorrer o Estado e buscar novos apoios. “Nós vamos trabalhar muito mais, muito mais, porque eu sei que a gente está com muito mais força agora”, declarou.