As mortes com granadas em Assú viraram uma só investigação. A Polícia Civil apura se os três homicídios ocorridos neste mês na cidade da Região Oeste potiguar, a cerca de 200 quilômetros de Natal, foram cometidos pelo mesmo grupo — o que aproxima os casos é o explosivo encontrado em todos eles. Nenhuma prisão havia sido feita até esta quinta-feira 24.
Uma das linhas de apuração trabalha com a hipótese de que o uso de granada esteja ligado ao jeito de agir de uma facção que atua no município. O explosivo em cena de homicídio não é comum no interior do Estado, e é justamente essa repetição que chamou a atenção dos investigadores. Os investigadores também querem saber se havia relação entre as vítimas.

São três os mortos: Rafael Dantas da Silva; Francisco Ray Martins do Nascimento, 21 anos; e Darlan Gladson Nascimento Silva, 40 anos. Em cada uma das cenas apareceu explosivo ou vestígio de granada. Circunstância e motivação de cada um dos casos continuam em apuração.
O caso mais recente
O crime mais recente vitimou Darlan Gladson. Ele foi atingido por vários disparos de arma de fogo na terça-feira 22. A perícia no local encontrou uma granada de fragmentação perto do corpo, e por causa dela o Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) teve de ser acionado. Coube ao esquadrão antibombas neutralizar e retirar o artefato. É o procedimento padrão quando a perícia encontra explosivo em cena de crime, porque a granada intacta representa risco para quem trabalha no local.
No dia 11 de setembro, Francisco Ray foi morto a tiros na Rua Professor João Jacinto. O corpo apareceu nos fundos de uma residência, e ali os policiais também acharam vestígio de explosivo.
O primeiro caso é de 10 de setembro. Rafael Dantas foi baleado dentro de um apartamento. Segundo o que a polícia levantou, dois homens entraram no imóvel, onde ele estava com a companheira — ela não foi alvo. Havia duas granadas no local: uma explodiu e feriu o braço da vítima, a outra ficou intacta. A Polícia Científica recolheu os fragmentos do artefato que estourou para análise.
A sequência de três assassinatos em menos de duas semanas, todos com explosivo em cena, é o que sustenta a suspeita de autoria comum. A polícia não informou prazo para concluir a apuração nem detalhou qual facção estaria no radar da investigação. Também não há informação sobre suspeito identificado até aqui.