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Parnamirim

Mãe vai à Justiça após pai levar menino a ato político e permitir exibição de arma

Mulher busca regularizar guarda do filho de 9 anos; Polícia Civil investiga episódio, Conselho Tutelar acompanha família e instituto pede apuração ao Ministério Público
Agora RN
07/10/2026 | 23:18

A mãe do menino de 9 anos filmado com armas de brinquedo em uma manifestação bolsonarista em Parnamirim acionou a Justiça para regularizar a guarda do filho após o episódio. Segundo a conselheira tutelar Amanda Melo, a mulher também decidiu impedir que o pai saia com a criança enquanto aguarda uma definição judicial e a conclusão da investigação.

Amanda informou que os pais estão separados há cerca de oito anos e mantinham um acordo informal: o menino ficava com a mãe durante a semana e com o pai nos fins de semana. A mulher relatou que desconhecia a participação do filho no ato e soube das imagens por amigos. Após telefonar para o ex-companheiro, ele levou a criança de volta para casa.

Montagem de imagens de menino sobre carro e exibindo arma
Imagens de menino dançando sobre teto de um carro e mostrando arma viralizaram — Foto: Divulgação

O caso é acompanhado pelo Conselho Tutelar e investigado pela Polícia Civil. A mãe prestou esclarecimentos ao órgão e foi orientada a buscar a regularização judicial da guarda. Nenhuma medida de penalização foi aplicada a ela.

Os vídeos foram gravados na Avenida Castor Vieira Régis, no bairro Cohabinal. Nas imagens, o menino veste uma camisa da Seleção Brasileira e aparece sobre um veículo, cercado por adultos. Em um momento, ergue um objeto semelhante a uma pistola; em outro, segura uma imitação de fuzil.

Inicialmente, o registro foi associado a uma comemoração após o primeiro turno, no domingo 4. Pessoas que afirmam ter participado da concentração, porém, disseram que o episódio ocorreu no sábado 3, véspera da votação. Essa versão também foi apresentada pelo vereador e candidato a deputado estadual Gabriel César (PL), um dos organizadores do evento.

O Conselho Tutelar informou ter apurado que os objetos eram brinquedos. Amanda afirmou, entretanto, que a exposição colocou o menino em risco. “Quando ela está com aquele simulacro, aquele brinquedo, poderia, de certa forma, ser confundido com a arma e poderia até acontecer algo pior”, declarou.

Segundo a conselheira, o comportamento foi incentivado por adultos. “A criança, instigada pelo seu responsável, pelas pessoas que estavam ali, sobe em cima do capô do carro e faz menção à violência, usando armas que nós descobrimos aqui que eram armas de brinquedo”, afirmou.

Proteção à criança

A mãe relatou que o filho ficou abalado depois de acessar comentários sobre o episódio. Colegas da escola também reconheceram o menino após a circulação dos vídeos.

“Ele teve acesso às mensagens, mensagens até maldosas, falando com relação aos pais, trazendo muitas coisas horríveis, inclusive trazendo para a questão do viés político”, disse Amanda. O Conselho anunciou encaminhamento da criança para acompanhamento psicológico e pediu que a população evite ataques à família.

“Desde já a gente quer aqui deixar claro que a proteção à criança está acima de bandeiras partidárias”, ressaltou a conselheira. Ela orientou os responsáveis a não incentivar o uso de simulacros ou a reprodução de gestos relacionados à violência.

Amanda acrescentou que o menino apresentou melhora, recebeu ligações de amigos e voltou à escola. A Polícia Civil informou que os pais já foram identificados e que a apuração corre em segredo de Justiça.

Instituto pede apuração

Enquanto isso, o Instituto Potiguar de Direitos Humanos (IP-DH) protocolou uma notícia de fato no Ministério Público do Rio Grande do Norte (MPRN), solicitando esclarecimentos sobre as circunstâncias do episódio e medidas de proteção.

A vice-presidente da entidade, Idyane França, disse que a iniciativa não busca antecipar conclusões sobre responsabilidades. “Independentemente de quem sejam os pais, independente de quem fez o vídeo, o importante aqui é a defesa da criança”, declarou. O Instituto poderá oferecer assistência caso seja procurado.

A Polícia Civil informou que o caso será apurado pela 17ª Delegacia de Polícia de Parnamirim, com “diligências para apurar a situação, incluindo a coleta e análise das imagens disponíveis, a fim de esclarecer as circunstâncias do ocorrido”.

Amanda destacou que cabe à polícia ouvir os responsáveis e definir os próximos passos. O Conselho Tutelar concentra sua atuação na proteção e no acompanhamento da criança.

Vereador defende pais

O vereador Gabriel César, que foi candidato a deputado estadual, contestou as críticas e afirmou que pretende oferecer apoio jurídico aos responsáveis, caso necessitem. “Essa criança estava com arma de brinquedo. Inclusive, eu tirei uma foto com essa criança. Estava comemorando lá com seus pais o grande evento que nós fizemos”, declarou. O vereador também questionou: “Qual o problema de estar segurando uma arma de brinquedo num evento desse?”.

As imagens do menino segurando a arma forma compartilhadas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição. “Sempre que uma criança e uma arma ocupam o mesmo espaço, alguém está no lugar errado. É esse o Brasil que você quer?”, escreveu o petista, ao comentar a cena.