O lançamento recente do modelo GPT-5 levou à realização de um experimento curioso no campo dos investimentos. Apresentada pela OpenAI como sua ferramenta “mais inteligente, rápida e útil até agora”, a nova geração do sistema promete interações comparáveis a uma conversa com “um amigo prestativo com inteligência de nível de doutorado”.
Na prática, os avanços já são perceptíveis em tarefas como escrita de código e análise de dados. Foi justamente essa capacidade analítica que motivou o jornalista Thomas Smith a testar o modelo para um objetivo mais ousado: selecionar ações para investimento.

Em reportagem publicada no portal Fast Company, Smith relata que pediu ao GPT-5 recomendações para aplicar US$ 500 — cerca de R$ 2,6 mil — em ações com potencial de maximizar retornos em um horizonte de seis meses. A expectativa inicial era receber respostas genéricas ou até uma advertência para procurar um assessor financeiro.
O resultado, porém, foi diferente. O sistema apresentou um conjunto estruturado de sugestões sob o título de “Portfólio Diversificado de Alto Crescimento”, estratégia que o próprio autor descreveu como “inteligente e altamente agressiva”.
A proposta da inteligência artificial foi dividir o valor igualmente entre cinco empresas: Palantir (PLTR), AppLovin (APP), Agios Pharmaceuticals (AGIO), Hut 8 Corp. (HUT) e MicroStrategy (MSTR). Segundo o GPT-5, as escolhas foram fundamentadas na análise de 98 artigos e sites especializados.
Para Smith, a seleção chamou atenção justamente por fugir das apostas mais óbvias. “Isso é muito diferente de simplesmente dizer ‘compre Microsoft’. Eu nunca tinha ouvido falar de metade das empresas da lista”, escreveu.
Na justificativa apresentada, o modelo destacou que Palantir e AppLovin se beneficiam diretamente do atual ciclo de expansão da inteligência artificial e ainda teriam espaço relevante de crescimento. No caso da Agios Pharmaceuticals, o potencial estaria ligado à possível aprovação de um medicamento inédito para tratar talassemia — doença genética do sangue que reduz a produção de hemoglobina.
As duas últimas recomendações refletem a exposição ao mercado de criptoativos. A Hut 8 atua em mineração de bitcoin, enquanto a MicroStrategy tornou-se conhecida por manter grande parte de seu caixa alocado na criptomoeda.
O próprio GPT-5 resumiu a lógica da carteira com uma advertência clara: “No geral, o portfólio visa uma vantagem explosiva em vez de estabilidade”.
O desempenho inicial foi positivo. Em apenas duas semanas, a carteira registrou valorização de cerca de 10%. O experimento, no entanto, ainda está em andamento — e o próprio autor ressalta que as escolhas apresentadas não devem ser interpretadas como recomendações de investimento.