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Mundo

Tensão no Oriente Médio pode elevar exportações de petróleo do Brasil e pressionar vendas de alimentos, avalia Mdic

Crescimento das vendas para a China e queda nas exportações aos EUA também marcam dados recentes da balança comercial
Por O Correio de Hoje
06/03/2026 | 15:27

O agravamento das tensões no Oriente Médio pode gerar efeitos distintos sobre o comércio exterior brasileiro, com potencial aumento das exportações de combustíveis e impacto temporário nas vendas de alimentos. A avaliação é de Herlon Brandão, diretor de Estatísticas e Estudos de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic).

Segundo o diretor, conflitos na região costumam pressionar os preços internacionais do petróleo, o que tende a favorecer o Brasil por sua condição de exportador líquido do produto. O preço de referência do mercado internacional é o Brent crude oil.

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Foto: Reprodução

“O Brasil é um exportador líquido de petróleo e, na medida em que o preço do petróleo suba, o saldo do comércio de combustíveis tende a aumentar”, afirmou Brandão em entrevista nesta quinta-feira (5), ao comentar dados recentes da balança comercial.

Por outro lado, o diretor destacou que diversos países do Oriente Médio figuram entre os principais compradores de alimentos brasileiros. Entre os produtos mais exportados para a região estão carne de frango, milho, açúcar e alimentos certificados como halal — produzidos de acordo com normas islâmicas.

De acordo com dados do Mdic, cerca de 32% das exportações brasileiras de milho têm como destino o Oriente Médio. A participação também é significativa em outros produtos: 30% das vendas externas de carne de aves, 17% do açúcar e 7% da carne bovina são direcionadas à região. Ainda assim, Brandão avalia que eventuais impactos negativos tendem a ser passageiros.

“A demanda por alimentos nesses países não vai desaparecer. Os fluxos tendem a se normalizar”, disse.

Os dados mais recentes da balança comercial também mostram mudanças relevantes no comércio com alguns dos principais parceiros do Brasil. As exportações brasileiras para os Estados Unidos somaram US$ 2,523 bilhões em fevereiro, queda de 20,3% em relação ao mesmo mês de 2025.

As importações provenientes do país também recuaram 16,5%, totalizando US$ 2,788 bilhões, o que resultou em déficit comercial de US$ 265 milhões para o Brasil.

O recuo nas vendas ao mercado americano já soma sete meses consecutivos e está associado à sobretaxa de 50% imposta pelo governo do presidente Donald Trump sobre produtos brasileiros em meados de 2025. No fim de fevereiro, a Supreme Court of the United States derrubou a medida, mas os efeitos sobre a balança comercial devem aparecer apenas nos próximos meses.

Na direção oposta, o comércio com a China apresentou forte expansão. Em fevereiro, as exportações brasileiras para o país asiático somaram US$ 7,220 bilhões, alta de 38,7% frente aos US$ 5,206 bilhões registrados no mesmo mês do ano anterior.

As importações brasileiras de produtos chineses, por sua vez, recuaram 31,3%, totalizando US$ 5,494 bilhões. Com isso, o Brasil registrou superávit de US$ 1,73 bilhão na relação comercial com o país.

Segundo Brandão, parte das oscilações nas importações está relacionada a operações pontuais de grande valor. Um exemplo foi a compra de uma plataforma de petróleo avaliada em cerca de US$ 2,5 bilhões, adquirida da Coreia do Sul, transação que influenciou as estatísticas regionais de comércio.

O comércio com a União Europeia também apresentou expansão nas vendas brasileiras. Em fevereiro, as exportações ao bloco cresceram 34,7%, atingindo US$ 4,232 bilhões.

As importações provenientes da região recuaram 10,8%, para US$ 3,301 bilhões, o que resultou em superávit de US$ 931 milhões para o Brasil.

Já no comércio com a Argentina houve retração tanto nas exportações quanto nas importações. As vendas brasileiras ao país vizinho caíram 26,5%, para US$ 1,057 bilhão, enquanto as compras recuaram 19,2%, para US$ 850 milhões. Mesmo assim, o Brasil manteve superávit de US$ 207 milhões na relação bilateral.

China, Estados Unidos, União Europeia e Argentina figuram entre os principais parceiros comerciais do Brasil e exercem forte influência sobre o desempenho da balança comercial do país. Segundo o Mdic, mudanças no cenário internacional — como tensões geopolíticas e disputas comerciais — podem alterar de forma relevante os fluxos de comércio nos próximos meses.