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Mundo

Metade dos entrevistados em 137 países aprova a ONU, mostra pesquisa Gallup

A aprovação mediana é de 50%, contra 26% de desaprovação, e só no Oriente Médio e Norte da África a avaliação negativa supera a positiva
Agora RN
01/10/2026 | 09:40

Nas tribunas da 81ª Assembleia Geral, reunida em Nova York, voltaram as críticas à capacidade das Nações Unidas de responder a guerra, a crise humanitária e a disputa entre países. Fora delas, a conta é outra, e aparece em números. Pesquisa Gallup divulgada durante o próprio encontro mostra outra coisa: na mediana de 137 países, 50% dos entrevistados dizem aprovar o trabalho da organização, contra 26% que desaprovam.

Os entrevistadores ouviram adultos de 15 anos ou mais, ao longo do período de março a dezembro de 2025, usando amostra nacional representativa em cada um dos países, com margem de erro que varia de 2,2 a 5,5 pontos percentuais. Em 67 dos 137 países que entraram no estudo, a maioria dos ouvidos aprovou a atuação da ONU. E em 92 deles, quem aprova está pelo menos dez pontos percentuais à frente de quem desaprova.

Vista do alto do plenário da Assembleia Geral das Nações Unidas, com a cúpula iluminada, a parede dourada e o emblema da ONU atrás da tribuna, e as bancadas ocupadas
Plenário da 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York, onde as críticas à organização voltaram aos discursos — Reprodução/YouTube

As diferenças de região, no entanto, são grandes. O Sudeste Asiático dá a avaliação mais favorável de todas: 69% aprovam e 18% desaprovam. Na África Subsaariana, são 61% de aprovação contra os mesmos 18% de desaprovação. Entre os países europeus que estão fora da União Europeia, 57% aprovam e 30% desaprovam.

A conta se inverte no Oriente Médio e no Norte da África, a única região pesquisada em que a desaprovação passa a aprovação: são 46% de avaliação negativa contra 23% de positiva, uma distância de mais de 20 pontos. Na América Latina e no Caribe os dois lados chegam perto um do outro, com 38% aprovando o desempenho da ONU e 35% desaprovando.

Outro levantamento recente aponta na mesma direção. O Pew Research Center fez uma pesquisa entre fevereiro e maio deste ano, em 37 países, e encontrou mediana de 55% de opiniões favoráveis à organização, contra 37% de desfavoráveis. No caso brasileiro, 47% dos entrevistados disseram ter avaliação favorável e 37% manifestaram visão desfavorável.

Os dados do Pew mostram também uma piora recente em parte dos países pesquisados. A avaliação favorável caiu de forma estatisticamente relevante em dez nações, na comparação com a última vez em que cada uma delas havia sido ouvida. Na Nigéria, caiu de 80% em 2025 para os atuais 63%. Nas Filipinas, o recuo foi de 83%, em 2024, para 67% neste ano de 2026.

A idade também separa percepções. Os dois estudos indicam que o adulto mais jovem avalia a ONU com mais simpatia do que o mais velho. No trabalho do Pew, brasileiros de 18 a 34 anos registraram 54% de opiniões favoráveis, contra 39% entre os que têm 50 anos ou mais. Diferença parecida aparece em outros cinco países: Itália, Peru, México, França e Alemanha. A Gallup encontrou a mesma tendência ao separar os entrevistados por faixa de idade: a avaliação dos mais jovens é melhor em toda região que entrou na pesquisa. Isso vale até no Oriente Médio e no Norte da África, onde a desaprovação continua à frente da aprovação.

Os números, porém, não permitem ligar essa avaliação pública ao desempenho de estruturas específicas da organização. A ONU é feita de dezenas de agências, de programas e de organismos, mais o Conselho de Segurança, as operações de paz e as iniciativas humanitárias — e uma resposta sobre “a ONU” pode estar falando de qualquer um deles, ou de todos ao mesmo tempo. Também falta série histórica extensa e comparável para um número tão grande de países, o que limita qualquer conclusão sobre como a imagem da instituição se moveu no tempo longo. O que a Gallup fez foi ampliar a cobertura geográfica do levantamento, sobretudo em regiões que costumam aparecer pouco em pesquisa internacional, caso da África Subsaariana.

Fica, de todo modo, a distância entre o debate institucional e o que pensa o público. Enquanto os líderes discutem mudar o funcionamento da ONU e apontam os limites da estrutura que ela tem hoje, a avaliação agregada do público continua mais favorável do que desfavorável. No levantamento da Gallup, a diferença global entre quem aprova e quem desaprova chega a 24 pontos percentuais.