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COP30

ONU cobra governo brasileiro por falhas de segurança e infraestrutura na COP30 em Belém

Carta enviada ao ministro Rui Costa e ao embaixador André Corrêa do Lago pede correções urgentes após tentativa de invasão à área diplomática da conferência
Redação
13/11/2025 | 17:46

A Organização das Nações Unidas (ONU) criticou o governo brasileiro e a organização da COP30, realizada em Belém (PA), por falhas de infraestrutura e segurança. Em carta enviada nesta quarta-feira 12 ao ministro da Casa Civil, Rui Costa, e ao embaixador André Corrêa do Lago, presidente da conferência, o secretário-executivo da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC), Simon Stiell, exigiu que as correções sejam feitas imediatamente.

Os pedidos ocorreram após manifestantes quase conseguirem invadir a zona azul, área restrita às negociações diplomáticas. Segundo Stiell, “eu agradeceria se nós pudéssemos receber a confirmação de que as medidas apropriadas de segurança, ressaltadas acima, serão colocadas em prática até o final do dia”.

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Documento assinado por Simon Stiell aponta brechas de segurança, alagamentos e calor excessivo no pavilhão da COP30, em Belém - Foto: Divulgação

O documento lista cinco falhas de segurança e relata “preocupações urgentes” com a entrada e saída de autoridades, vulnerabilidades dentro da zona azul e baixa resistência de portas e portões, que “não puderam ser guardados durante a invasão de 11 de novembro”.

A carta afirma ainda que manifestantes “avançaram desimpedidos para dentro da blue zone, sob a observação das autoridades brasileiras que falharam em agir ou seguir o plano de segurança combinado”, o que representaria “uma séria brecha na estrutura de segurança estabelecida”.

O texto também cita que o Brasil não disponibilizou o número de agentes acordado para a segurança e que a Polícia Federal teria sido instruída pela Casa Civil a não intervir na dispersão dos manifestantes, em desacordo com o planejamento da conferência.

Além das falhas de segurança, Stiell relata problemas estruturais, como calor excessivo, alagamentos e instalações inadequadas. Segundo ele, “mesmo com os custos consideráveis pagos pelas partes por seus escritórios e espaços no pavilhão, as condições entregues em diversos casos estão muito abaixo dos padrões acordados e, em algumas situações, não são adequadas para uso”.

A carta aponta que o ar-condicionado é insuficiente, que há preocupação com riscos de choques elétricos devido à entrada de água e que os banheiros chegaram a ser interditados para reparos. O secretário afirma que “esses problemas criaram considerável desconforto e preocupação reputacional nas delegações e participantes”.

Procurada, a Casa Civil informou que todas as demandas da ONU vêm sendo atendidas, com “reposicionamento e ampliação de forças”, “climatização dos espaços” e “correção na estrutura”. Segundo a pasta, “todas as questões vêm sendo tratadas diariamente nos pontos de controle realizados em conjunto com a UNFCCC, garantindo a correção contínua de temas inerentes a um evento dessa dimensão”.

O governo do Pará, também copiado no documento, não respondeu aos questionamentos.

Representantes da UNFCCC e da organização da COP30 se reuniram nesta quinta-feira 13 para tratar do assunto. Fontes que participaram do encontro afirmaram que o tom foi de que as medidas estão sendo implementadas, com reforço na segurança e melhora do sistema de climatização.

Meses antes da conferência, negociadores haviam enviado carta ao governo federal e à ONU pedindo a transferência parcial do evento para outra cidade, alegando problemas de infraestrutura e altos custos de hospedagem em Belém. O governo manteve a realização na capital paraense, e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que a escolha representava um “ato de coragem” e um marco por levar a conferência climática à Amazônia pela primeira vez.