O Irã intensificou nesta quinta-feira 19, sua ofensiva contra países do Golfo Pérsico, atingindo instalações estratégicas de petróleo e gás em Kuwait, Arábia Saudita e Qatar, em mais um capítulo da escalada militar no Oriente Médio. Os ataques ocorrem em resposta aos bombardeios israelenses contra o campo de gás de South Pars, considerado o maior do mundo.
No Kuwait, duas refinarias foram atingidas, com incêndios simultâneos registrados nas unidades de Mina Al-Ahmadi e Mina Abdullah, segundo autoridades locais. Equipes de emergência atuam para controlar as chamas. Já na Arábia Saudita, um drone atingiu a refinaria de Aramco Samref, no porto de Yanbu, no Mar Vermelho. O Ministério da Defesa saudita informou que os danos ainda estão sendo avaliados.

No Qatar, duas instalações de gás natural foram alvo dos ataques, incluindo a cidade industrial de Ras Laffan, responsável por parcela relevante da produção global de gás natural liquefeito (GNL). A estatal QatarEnergy relatou “incêndios consideráveis” no local, ampliando as preocupações com o fornecimento global de energia.
A ofensiva iraniana ocorre após o ataque israelense ao complexo de South Pars, que, segundo fontes americanas, teria sido realizado com aval da Casa Branca para pressionar a abertura do Estreito de Hormuz, rota por onde passa cerca de um quinto do petróleo mundial. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou posteriormente que o país “não sabia de nada” sobre a ação.
Em paralelo, os Estados Unidos informaram ter realizado ataques contra instalações de mísseis iranianas próximas ao Estreito de Hormuz. De acordo com o Comando Central, foram utilizadas munições de penetração profunda, incluindo bombas GBU-72, capazes de atingir estruturas fortificadas. A operação foi classificada como bem-sucedida e teve como objetivo reduzir ameaças à navegação internacional.
A escalada já tem impacto direto nos mercados. O petróleo Brent, referência internacional, avançou para quase US$ 120 por barril, após fechar o dia anterior em US$ 107,38. O movimento reflete o temor de interrupções no fornecimento em uma das regiões mais estratégicas para a energia global.
Até o momento, não há balanço oficial de vítimas nos ataques desta quinta-feira. No entanto, um bombardeio ocorrido mais cedo em uma área residencial no Irã deixou ao menos 12 mortos, segundo a agência estatal Tasnim.
A intensificação dos confrontos expõe o risco crescente para a segurança energética global e eleva a incerteza sobre a estabilidade no Oriente Médio, em um cenário que já mobiliza potências internacionais e pressiona os mercados de commodities.