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Tensão internacional

Irã ameaça atacar bases militares dos EUA no Oriente Médio se for bombardeado

Autoridade iraniana afirmou à Reuters que países da região foram informados sobre possível ofensiva contra bases norte-americanas
Redação
14/01/2026 | 08:09

O Irã atacará bases militares dos Estados Unidos no Oriente Médio caso seja bombardeado e já avisou países vizinhos sobre a decisão, afirmou um oficial iraniano de alto escalão à agência de notícias Reuters, em meio a ameaças do presidente dos EUA, Donald Trump, de ataque militar em solo iraniano.

“Teerã informou países da região, da Arábia Saudita e dos Emirados Árabes Unidos até a Turquia, que bases dos EUA nesses países serão atacadas” caso os norte-americanos alvejem o Irã, disse a autoridade à Reuters, sob condição de anonimato.

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Teerã avisa países vizinhos sobre possível ataque a bases dos EUA, diz Reuters - Foto: reprodução

Ainda segundo o oficial, o governo iraniano pediu a aliados dos Estados Unidos no Oriente Médio “que impeçam Washington de atacar o Irã”. O governo do país já havia afirmado que retaliaria uma possível agressão norte-americana, sem detalhar os planos até então.

Em razão da ameaça de retaliação, integrantes da Base Aérea norte-americana de Al Udeid, no Catar, foram orientados a deixar o local até a noite desta quarta-feira, de acordo com três diplomatas ouvidos pela Reuters. Os Estados Unidos mantêm diversas bases militares no Oriente Médio e cerca de 40 mil tropas na região.

A base de Al Udeid é a maior instalação militar dos EUA no Oriente Médio e abriga cerca de 10 mil militares. O local foi atacado em junho de 2025, no final da guerra de 12 dias entre Israel e Irã, após bombardeio norte-americano a três instalações nucleares iranianas.

A escalada de tensões ocorre em meio a protestos contra o regime do aiatolá Ali Khamenei em diversas regiões do Irã e à repressão contra manifestantes. Trump ameaça intervir militarmente no país em razão das mortes registradas nos protestos e afirmou aos manifestantes que a ajuda está a caminho. Em resposta, o Irã acusou os Estados Unidos, na Organização das Nações Unidas (ONU), de forjar um pretexto para buscar uma mudança de regime.

As mortes nos protestos já ultrapassaram 2.500, segundo organizações não governamentais de direitos humanos que acompanham a situação. Um oficial iraniano afirmou ao jornal norte-americano The New York Times que ao menos três mil pessoas morreram. O número real pode ser maior, já que a apuração tem sido dificultada por um bloqueio à internet imposto pelo regime Khamenei.

Relatos de testemunhas divulgados por ONGs, agências de notícias e pela imprensa internacional descrevem a violência adotada pelas forças de segurança iranianas e mencionam a ocorrência de massacre e execuções extrajudiciais.

Um manifestante deve ser executado no Irã nesta quarta-feira, segundo uma ONG. Erfan Soltani, de 26 anos, foi preso durante um protesto no início da semana. Especialistas afirmam que a execução rápida pode ser usada como mensagem do regime contra os manifestantes. O governo iraniano informou que acelerará o processamento dos presos nos protestos, número que ONGs afirmam ultrapassar 10 mil, o que indica a possibilidade de novas execuções.

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