O Equador prendeu mais de 250 pessoas no primeiro dia de uma ampla ofensiva contra narcotráfico, conduzida com apoio dos Estados Unidos. Segundo o Ministério do Interior, foram registradas 253 detenções, em sua maioria por violação do toque de recolher noturno e porte de armas, dentro da operação denominada “Ofensiva Total”, que mobiliza cerca de 75 mil policiais e militares em todo o país.
As ações começaram na noite de domingo e se concentram nas províncias costeiras de Guayas, Los Ríos, Santo Domingo de los Tsáchilas e El Oro, consideradas as mais afetadas pela atuação de organizações criminosas ligadas ao narcotráfico, extorsão e assassinatos por encomenda. A operação inclui incursões em residências, patrulhamento intensivo e inspeções em áreas urbanas, com reforço de inteligência e cooperação internacional.

O plano está alinhado a acordos firmados com Washington para compartilhamento de informações e fortalecimento das capacidades das forças de segurança equatorianas. O país integra a coalizão regional “Escudo das Américas”, criada neste mês sob liderança dos Estados Unidos para combater o tráfico de drogas no hemisfério.
Durante o período de duas semanas, vigora toque de recolher entre 23h e 5h nas áreas afetadas. Apenas viajantes com passagens aéreas, profissionais de saúde e equipes de emergência estão autorizados a circular. As autoridades informaram que não serão emitidos salvo-condutos, ampliando o rigor das restrições.
A ofensiva ocorre em meio a uma escalada da violência no país, que deixou de ser considerado uma zona de baixa criminalidade para registrar uma das maiores taxas de homicídio da região, com 52 mortes por 100 mil habitantes em 2025. O Equador se tornou um ponto estratégico para o escoamento de cocaína produzida na Colômbia e no Peru, especialmente por meio de portos no Pacífico, como Guayaquil.
Relatório recente da consultoria International Crisis Group aponta que o país enfrenta sua pior crise de segurança em décadas, associada à reconfiguração das rotas do tráfico após o acordo de paz colombiano de 2016. O documento indica que o território equatoriano se consolidou como plataforma logística para exportação de drogas rumo à Europa e aos Estados Unidos.
A estratégia do governo do presidente Daniel Noboa tem ampliado a cooperação com Washington e adotado medidas de linha dura contra facções criminosas. A aproximação com os EUA tem garantido apoio logístico e político, diferenciando o Equador de outros países da região que enfrentam pressões ou sanções do governo americano.
Apesar da intensificação das operações, a escalada da violência e a complexidade das redes criminosas mantêm o país sob pressão, com desafios estruturais para retomar o controle de áreas dominadas por organizações ligadas ao tráfico internacional.