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Dados

IBGE detalha o perfil do natalense no aniversário de 420 anos da cidade

Mulheres, pardos, solteiros e católicos compõem as principais características da população potiguar
Redação
27/12/2019 | 04:00

Lendo livremente os dados compilados e divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) para homenagear os 420 anos de Natal, ocorridos na quarta-feira, 25, é possível dizer que a capital potiguar tem uma maioria acima de 50% de cor parda, solteira e católica e que demora de seis a 30 minutos para se deslocar da casa para o trabalho, desfrutando de uma renda média de R$ 2.573,00.

Seja como for, os dados selecionados pelo IBGE falam de uma cidade que, até o ano passado, tinha como moradores 55,4% de mulheres; 16% de jovens entre 20 e 29 anos; 51% de pardos, quase 53% de solteiros, ou seja, sem vínculo matrimonial; 67% de católicos, tendo mais de 77% ainda vivendo em casas, sendo 25,9% dessas residências ocupadas com três pessoas ou mais.

IBGE detalha o perfil do Natal RNense no aniversário de 420 anos da cidade - Agora RN

O Agora RN foi entender melhor esses números com Flávio Queiroz, analista do IBGE no Rio Grande do Norte. Acompanhe a entrevista.

Agora RN: Interpretando as informações sobre os 420 anos de Natal, a partir dos dados estatísticos fornecidos pelo IBGE mais atuais da cidade, como você definiria o cidadão nascido aqui?
Flávio: O natalense é majoritariamente católico, tem rendimento médio em torno de R$ 2.570 mensais e trabalha em sua maioria nos serviços ou comércio.

Agora RN: Uma cidade de mulheres e solteiros, dizem os números; é isso que somos necessariamente?
Flávio: A maioria da população é mulher e formada por solteiros, mas o percentual nessa condição não passa de 55%. Então, devemos considerar também os 45% de natalenses que vivem em união conjugal. A cidade representa a grande diversidade de uma população de 884 mil habitantes, conforme estimativa de do IBGE em 2019.

Agora RN: O dado que revela entre seis a 30 minutos o tempo de deslocamento do natalense da casa para o trabalho vale para que parcela da população?
Flávio: Esse é o tempo que 51% dos natalenses gastavam para ir ao trabalho em 2010, ou seja, os outros 49% da população gastam mais que meia hora para chegar ao trabalho. O dado representa principalmente a realidade de pessoas que moram nas proximidades do trabalho, distintamente dos natalenses que enfrentam grande tempo no trânsito até o local do trabalho. É importante destacar que o dado será atualizado com o Censo Demográfico 2020, pois é levantado a cada Censo Demográfico, o mais recente foi realizado em 2010.

Agora RN: O fato de termos 29,5% de natalenses de 14 anos com o ensino médio mostra que houve uma universalização escolar nessa faixa etária?
Flávio: Não houve universalização do ensino médio em Natal nem em outas capitais do país, principalmente quando consideramos as pessoas com idade acima de 60 anos, que formam grande parte dos que não concluíram esse nível educacional.

Agora RN: Os dados mostram uma grande maioria católica em Natal. Somos diferentes nisso em relação a outras capitais?
Flávio: Sim. De acordo com o Censo 2010, Natal está entre as cinco capitais com maior população da religião Católica Apostólica Romana (67%), atrás apenas de Fortaleza (68%), Sergipe (71%) e Teresina (79%).

Agora RN: O salário médio de R$ 2.573,00, calculado no terceiro trimestre deste ano, entre os natalenses, pode ser atribuído à informalidade?
Flávio: A informalidade é apenas um dos fatores que influenciam a renda dos trabalhadores em geral. A atividade na qual o trabalhador exerce suas funções também faz diferença. Em Natal, grande parte dos trabalhadores está na área de serviços e comércio. Se a maior parte dos serviços estivessem associados a uma indústria tecnológica ou até mesmo a serviços vinculados a maior nível de capital intelectual, como pesquisa científica e tecnologia da informação, o valor agregado seria distinto e poderíamos ter uma renda mais alta.