A Federação Árabe Palestina do Brasil (Fepal) temem que a transferência da embaixada do Brasil em Israel para Jerusalém prejudique as relações brasileiras com os países árabes. Representantes da entidade estiveram esta semana em Natal para conhecer colônia palestina que reside no Rio Grande do Norte.
A possível transferência da representação diplomática brasileira de Tel Aviv para Jerusalém foi revelada pelo presidente eleito Jair Bolsonaro no início de novembro. Ele disse em entrevista ao jornal “Israel Hayom” que o governo israelense “tem direito soberano a decidir qual é a sua capital”.

Segundo Ellayyan Taher Aladdin, presidente de Fepal, o Brasil tem uma tradição de respeito às definições impostas pela Organização das Nações Unidas. A resolução 478, de 1980, impede que delimita que integrantes do Conselho de Segurança da ONU mantenham embaixadas em Jerusalém. “A política externa brasileira sempre foi positiva, propositiva, conciliadora e de respeito ao ordenamento jurídico internacional”, disse ele.
Ainda segundo o presidente, apesar das recentes declarações do futuro presidente da República, as políticas de apoio às causas da Palestina podem ser abaladas. “Esperamos que este posicionamento seja revisto a partir do próximo ano”, reforça Elayyan Taher, que é natural de Porto Alegre (RS).
A entidade lembra o Brasil mantém boas relações diplomáticas com a Palestina desde os anos 1970. As políticas de cooperação se estreitaram ainda mais em 2010, quando o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva residente Luiz Inácio Lula da Silva reconhece a existência do Estado Palestino, com as fronteiras de 4 de junho de 1967.
Além disso, o Brasil reconhece a OLP (Organização para a Libertação da Palestina) desde 1975 como a entidade representante da população palestina. “As relações políticas, econômicas e sociais entre os dois países são fortes. Isto não deve ser alterado. Isso [transferência da embaixada brasileira] é ruim para o Brasil, pois muda a sua vocação diplomática, e é ruim para todo o Oriente Médio, que vê estremecida as relações com o governo brasileiro”, aponta Ualid Rabah, que é diretor de relações internacionais da Fepal.
Ainda segundo ele, que é natural de Curitiba (PR), a amizade entre Brasil e Palestina nunca dependeu da atuação dos governos, independente de posicionamentos políticos e ideológicos. “Não exigimos que o Brasil não mantenha amizade com Israel. Nós pedimos, sim, para que o Brasil contribua com a paz no Oriente Médio, bem como a manutenção das resoluções da ONNU e de direito internacional”, ressalta.
Ualid Rabah fala, ainda, argumenta que as diferenças políticas entre Israel e Palestina devem ser resolvidas no seio de um processo diplomático. “Nunca pelas armas, nunca pelas mortes, nunca pela violência, nunca pelo genocídio e nunca pela limpeza étnica. Isso só quem sofre são os palestinos, e nunca o outro lado”, lamenta. Os dois Estados mantêm uma conflituosa relação desde a criação oficial de Israel, em 1947.
Visita ao Rio Grande do Norte
Os representantes da Federação Árabe Palestina do Brasil estiveram em Natal na última quarta-feira, 19, para conhecer representantes da colônia de palestinos residentes no Rio Grande do Norte. A estimativa é de 200 pessoas oriundas ou de descendência do país do Oriente Médio residam hoje em território potiguar.
Segundo Ellayyan Taher Aladdin, um dos objetivos da visita foi conclamar a colônia local a participar do congresso da entidade, que vai ser realizado em Porto Alegre (RS), entre os dias 22 e 24 de fevereiro de 2019. “Queremos convidar os nordestinos para que participem do nosso congresso. Estamos visitando as colônias e reforçando os laços entre as comunidades”, reforça. O evento vai discutir a importância da população árabe em terras brasileiras.
Segundo a entidade, o Brasil tem hoje cerca de 50 mil palestinos, sendo que a maior parte reside na região do país. “O Brasil sempre recebeu muitos imigrantes de países árabes. A comunidade árabe representa cerca de 10% da população brasileira”, finaliza Ellayyan Taher.