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Guinness Book

Cajueiro de Pirangi pode perder título de maior do mundo para árvore no Piauí

Pesquisadores da Universidade Estadual do Piauí concluíram que maior cajueiro do mundo fica em Cajueiro da Praia, com árvore 310 m² maior que a de Parnamirim
Do Agora Parnamirim
04/05/2019 | 17:41

Uma ameaça paira sobre o cajueiro de Pirangi, em Parnamirim: a de deixar de ser o maior do mundo, uma conquista obtida em 1994 quando entrou no Guinness Book of Records, o Livro dos Recordes, ao ostentar impressionantes 8.500 m² de área.

Não é de hoje, a cidade piauiense de Cajueiro da Praia, no litoral daquele estado, sustenta que o maior pé de caju do mundo é dela, o “Cajueiro-rei”, com 200 anos e 310 m² a mais do que o pé de caju potiguar.

Cajueiro de Pirangi pode perder título de maior do mundo para árvore no Piauí - Agora RN

“Há um documento que existe há pelo menos três anos provando isso e já foi entregue ao secretário de Turismo do Piauí, agora não sei realmente porque não deram entrada no Guinness Book”, afirma o botânico Francisco Soares Santos Filho, da Universidade Estadual do Piauí (Unespi), onde um estudo sobre o cajueiro foi realizado.

Descobrir qual é o maior cajueiro apareceu há pouco mais de três anos como uma demanda da Secretaria de Turismo do Piauí. “Queriam nossa ajuda para realizar as medições que provassem isso”, conta o professor Soares.

O passo seguinte foi formar uma força-tarefa entre vários departamentos da universidade para constatar e documentar a superioridade do cajueiro de lá em relação ao de Pirangi.

“Esse trabalho consistiu, além das medições, em fazer coletas em pontos mais afastados da planta para coletar material genético e constatar a unidade do todo”, lembra o professor.

“A exemplo do cajueiro de Pirangi, o daqui tem uma copa enorme e seus galhos maiores batem no chão e continuam como extensão do resto”, diz ele.

Cajueiro de Pirangi pode perder título de maior do mundo para árvore no Piauí - Agora RN
Cajueiro-rei, em Cajueiro da Praia (PI) – Foto: Kaio Amaral / Meio Norte

A medição e estudo genético do cajueiro piauiense teriam primariamente sido motivados pelo desejo de um empresário de investir na região. Ele precisava de um atrativo econômico que agregasse ao turismo, valorizando seu investimento.

A pesquisa foi necessária para saber com exatidão se estas ramificações se tratavam de uma mesma árvore.

Agora que se sabe, o passo seguinte das autoridades locais será tombar o cajueiro em nível federal, usando o estudo na Unespi para isso. O estudo será encaminhado para o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) para ser reconhecido como um patrimônio do Piauí. Depois disso, a medição será protocolada no Livro dos Recordes.

A exemplo do cajueiro de Pirangi, o do Piauí, em vez de crescer para cima, cresceu para os lados e, com o tempo, curvou-se para baixo por causa do peso.

Ao tocar no chão, começou a criar raízes e reiniciando novo ciclo de crescimento, como se fossem troncos de outra árvore, embora sejam de uma só.

Atualmente, o cajueiro do Piauí é tombado por uma lei municipal e seus frutos são utilizados na produção de vinho e suco. A castanha é vendida para torra.

Também a exemplo do que aconteceu em Pirangi, assim que a supremacia do cajueiro de lá for comprovada no Livro dos Recordes, a idéia é investir mais na infraestrutura para receber mais turistas.

As pessoas que já visitaram o cajueiro do Piauí afirmam que até os guias já foram seduzidos com a ideia de um confronto com o Rio Grande do Norte, motivados pela Prefeitura e pelo dono das terras onde o cajueiro está.