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Entrevista
José Vanildo diz que diferença técnica não é só no Potiguar
Presidente da Federação Norte-rio-grandense de Futebol comenta dificuldades dos clubes potiguares e projeta ações para fortalecer futebol
Redação
04/03/2020 | 03:30

O presidente da Federação Norte-Riograndense de futebol, José Vanildo, avalia que a diferença técnica entre os clubes do Campeonato Potiguar não é uma exclusividade do Rio Grande do Norte. Em entrevista à Rádio Agora FM (97,9), que o Agora RN reproduz abaixo, o cartola avaliou o Estadual, comentou sobre o apoio público no futebol e relatou sobre as medidas de divisão de torcidas.

Avaliação do Campeonato Potiguar

“Se você for olhar só para este ano, é muito pouco, é algo muito simplório. O Estadual ocorre diante de uma série de anos que atravessam o mundo do futebol e o RN. Há ausência de patrocínio e apoio público, diferentemente de como se pratica nos estados vizinhos. Não é utilizada a ferramenta futebol como divulgação de um produto aqui no Estado. A gestão ainda amadora dos clubes tem que mudar. Antigamente, tínhamos vários nomes poderosos na sociedade que bancavam o futebol. O esporte evoluiu, se modernizou e acabou a fase desses beneméritos. Ou se profissionaliza ou acabam os clubes. Já temos uma mudança na gestão do América, do ABC, do Santa Cruz. O Globo passou dificuldades, mas ainda pode retornar para algo que gere renda”.

Desnível técnico da competição

“Eu vejo isso com Cruzeiro, com Flamengo. Isso não é privilégio do Rio Grande do Norte. Como está o futebol de Pernambuco? Está nas mãos dos mesmos. Ceará mudou o quê? Continua Ceará e Fortaleza, não mudou nada. Tem que mudar é a gestão, não são fatos isolados. Não é que há um desnível técnico. Um Flamengo no nível de Barcelona, olha como tá o futebol carioca. O mineiro rebaixado, o Atlético Mineiro só perde. Sabe o motivo do Maranhão crescer? Lá houve investimento do poder público. Nós estamos à frente da Paraíba. No conceito de ranking, estamos no meio do Brasil. A gente tem que pensar como se faz em Pernambuco, com o futebol pernambucano. Bote o Flamengo para jogar lá. O povo vai assistir Sport e Náutico e não vai para o jogo do Flamengo. Esse conceito que nós temos, esse é o momento do futebol do RN subir”.

Valorização do Estadual

“Quatro times na Série D é bom e é ruim. A Copa do Brasil já rendeu o que se conquista no Estadual. Não se fala disso. Há um esquecimento e uma amnésia voluntária. Como o América chegou nessa fase da Copa do Brasil? Através do Campeonato Potiguar. A Federação não merece aplauso. Ela não contrata e não tem a gestão do time, mas é a primeira parceira de todos os clubes. Temos que motivar as empresas locais, que passam as mesmas dificuldades ou pior, em busca de um apoio ou um marketing. Cansa a gente ouvir tanta gente contra o futebol potiguar, mas ninguém diz onde se conquistam os maiores prêmios. É no Estadual, Copa do Nordeste e Copa do Brasil”.

Caminhos para atrair mais público para o Campeonato Potiguar

“Profissionalização e credibilidade. Tenho feito um trabalho. O estádio mais utilizado no Rio Grande do Norte é o Juvenal Lamartine. Há uma omissão das pessoas em falar do Juvenal. Todos os jogos da base são feitos lá pela pobreza dos clubes. Precisamos investir na base e renovar. Dar um regimento de cumprimento de normas e regras. Não tem mais quem dá dinheiro para tudo. Você tem que fazer parcerias. Precisa ser investido no futebol de base. Temos mais de oito competições paralelas patrocinadas. Nada se faz sem investimento. Essa necessidade de renovar é fundamental. Eu vejo hoje o América e o ABC se posicionando dentro da realidade do momento. É ter um time de acordo com sua capacidade de endividamento”.

Base

“O ABC é muito eficiente na base. Deve ter no Grêmio e no Internacional de sete a oito jogadores do alvinegro. É o que vem mantendo o clube. A mudança de perfil da gestão. Precisa modernizar a gestão. Leonardo Bezerra no América e Lupércio Segundo no Santa Cruz tentam modernizar também”.

Apoio público

“Como nunca recebi apoio de nenhum governo, estou fora disso. Brigo pelos interesses dos clubes. A federação não vive de dinheiro público. O Nota Potiguar utilizou bem a imagem dos clubes. O governo tem que investir nos clubes, utilizando a imagem”.

Saída de clubes antigos do Campeonato Potiguar

“É lamentável a pouca vergonha dos políticos do interior. A federação não foi feita para dar dinheiro aos clubes. Hoje somos parceiros em questão de transporte, hotel, necessidade deles e das ligas. Os clubes tem que se organizar. A FNF organiza o evento. O maior crime que hoje se atribui a FNF é ela ter dinheiro. A federação não tem apoio de todos os clubes. Nós não somos empresários dos clubes nem dos jogadores. Somos parceiros no que estiver de nossa competência. A FNF não tem condições de ficar bancando outros clubes”.

Polêmica sobre o Palmeira

“O Palmeira ganhou de quem? Claro que é um assunto que deve ser avaliado e observado, mas estanho seria se ganhasse de todo mundo e perdesse de dez”.

Divisão de torcidas e violência

“É uma norma prevista no regulamento geral das competições. Isso não mina a possibilidade de uma composição entre os clubes para dividir melhor. Eu não compreendo a questão de torcida única. Isso para mim é outra coisa. É a rendição do poder público à bandidagem. Você não vê isso no campo. O grande problema da violência fica nas ruas. A polícia tem sido parceira, o Ministério Público também. As pessoas não imaginam o que precede um jogo. Todos os jogos tem que ter uma assinatura de um protocolo com regras e estabelecimentos do que deve ser feito. Várias torcidas já foram punidas. É um problema sério”.

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