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Coronavírus
Jogos adiados podem virar rotina no Brasileirão, dizem infectologistas
Segundo profissionais, quem acompanhar torneio terá que se acostumar com situação de adiamento de partidas devido casos da Covid-19 nas equipes

11/08/2020 | 11:14

Quem acompanhar o Campeonato Brasileiro desta temporada possivelmente vai precisar se acostumar com a situação inusitada de uma partida ser adiada porque há um time com um grande número casos de covid-19 no elenco. A exemplo do ocorrido no último domingo (9), entre Goiás e São Paulo, em Goiânia, infectologistas ouvidos pelo Estadão apostam que, pela situação da pandemia e pela exposição dos atletas ao contágio, outras partidas vão passar pelo mesmo problema.

Para esses especialistas, é provável até mesmo que surtos como o encarado pelo Goiás, que tem nove casos confirmados da doença, passem a ser mais comuns justamente a partir de agora, por causa das viagens. Cada time terá duas partidas por semana e vai precisar passar com frequência por locais considerados pelos médicos como mais perigosos para se contrair o vírus. A segunda das 38 rodadas da competição tem início na quarta-feira.

“É possível que aconteça (novos adiamentos dos jogos). A epidemia ainda está entre nós, e qualquer proximidade entre pessoas pode gerar transmissão”, afirmou o membro da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), Renato Grinbaum. O presidente do Corinthians, Andrés Sanchez, manifestou na segunda-feira a preocupação com esse impacto. “O Brasileirão precisa que todos entendam e aperfeiçoem os protocolos para continuar suas atividades”, escreveu nas redes sociais.

Os médicos consideram que, após as equipes terem disputado Estaduais, apenas com partidas com viagens curtas ou quase sempre na mesma cidade, agora o calendário passará por uma fase crítica. “O deslocamento por aeroportos e hotéis é uma situação muito crítica porque você tem muita exposição ao vírus em salas de espera, recepções e restaurantes”, explicou o médico Estevão Urbano, também da SBI.

Na opinião do infectologista, inclusive, o maior perigo do Campeonato Brasileiro é fazer com que os jogadores se tornem vetores da doença. “Os atletas têm boa saúde e certamente vão se recuperar. O problema é na verdade o pai deles, alguém com comorbidade da família ou uma pessoa que possa ser contaminada porque está no mesmo hotel”, disse Urbano.

Apesar das preocupações, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) mantém a realização do torneio e a aplicação de cuidados. Um desafio para o Brasileirão é continuar com os jogos espalhados por várias cidades, ao contrário do realizado por outras ligas.

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