BUSCAR
BUSCAR
Restrição

COI restringe participação feminina a “mulheres biológicas” nos Jogos de 2028 e estabelece testes genéticos

Nova política veta atletas trans em categorias femininas e impõe critérios baseados no sexo biológico, com foco em equidade e segurança
Por O Correio de Hoje
27/03/2026 | 11:24

O Comitê Olímpico Internacional (COI) anunciou uma mudança nas regras de elegibilidade para competições femininas que passa a valer nos Jogos Olímpicos de 2028, em Los Angeles. A entidade determinou que apenas “mulheres biológicas” poderão disputar provas individuais e coletivas na categoria feminina, excluindo atletas trans dessas competições oficiais.

De acordo com o comunicado, a política não se aplica a programas esportivos amadores ou recreativos, mas será obrigatória em eventos organizados ou vinculados ao movimento olímpico. Atletas trans, segundo o COI, permanecem elegíveis para categorias masculinas, mistas ou abertas, desde que respeitadas as regras específicas de cada modalidade.

Coi 01
Nova política veta atletas trans em categorias femininas nos Jogos de 2028 - Foto: Reprodução

A presidente do COI, Kirsty Coventry, afirmou que a decisão foi baseada em evidências científicas e em recomendações de especialistas. “Nos Jogos Olímpicos, até as menores margens podem ser a diferença entre a vitória e a derrota. Portanto, é absolutamente claro que não seria justo para homens biológicos competirem na categoria feminina. Além disso, em alguns esportes, simplesmente não seria seguro”, declarou.

A entidade sustenta que o sexo masculino oferece vantagens fisiológicas em modalidades que exigem força, potência e resistência. “Para garantir a equidade e proteger a segurança, principalmente em esportes de contato, a elegibilidade deve, portanto, ser baseada no sexo biológico”, acrescenta o texto.

A formulação da política considerou consultas a cerca de 1,1 mil atletas, além de discussões conduzidas por um grupo de trabalho composto por diretores médicos de federações internacionais e especialistas em áreas como ciência do esporte, endocrinologia, medicina transgênero, saúde da mulher, ética e direito.

Como parte das novas diretrizes, o COI exigirá a realização de testes de sexagem para todas as atletas que competirem na categoria feminina. Os exames poderão ser feitos por meio de saliva ou sangue, com o objetivo de identificar a presença do gene SRY, associado ao desenvolvimento do sexo masculino durante a gestação. O uso desse tipo de teste já ocorre em algumas competições de alto rendimento.

O COI também recomendou que federações internacionais, comitês nacionais e demais entidades esportivas adotem a política de forma alinhada, o que tende a uniformizar critérios em diferentes modalidades e países.

Criado em 1894, o COI afirma, em seus princípios institucionais, atuar contra qualquer forma de discriminação no esporte. A nova diretriz, no entanto, deve intensificar o debate global sobre inclusão, direitos de atletas trans e os limites entre equidade competitiva e diversidade no ambiente esportivo de alto rendimento.