Um dos principais nomes da história do Ultimate Fighting Championship, Anderson Silva inicia uma nova etapa profissional fora do octógono. Aos 50 anos, o ex-campeão dos médios se prepara para começar, em abril, um curso de formação policial na Califórnia, movimento que marca sua transição após a aposentadoria do MMA.
A decisão de ingressar na carreira policial nos Estados Unidos, segundo o próprio atleta, tem relação direta com sua origem familiar. “Venho de uma família de policiais. Meus irmãos são todos policiais, meus sobrinhos também. É algo que está no meu sangue”, afirmou. O curso terá duração de sete meses e, ao final, ele poderá integrar o departamento de polícia de Beverly Hills. “Estou me preparando, estudando bastante. Vai ser legal”.

A escolha pelo país também tem motivação prática. Naturalizado norte-americano desde 2019, Anderson avalia que seguir esse caminho no Brasil teria comprometido sua carreira esportiva. “Eu não teria tido a oportunidade de me tornar o melhor lutador do mundo se fizesse isso no Brasil. Optei por isso lá atrás. Agora, com essa fase encerrada, posso conciliar novos projetos.”
Mesmo afastado do MMA, o brasileiro não descarta novas aparições nos ringues. Com cartel de quatro vitórias e duas derrotas no boxe, ele avalia a possibilidade de enfrentar Chris Weidman, responsável por encerrar sua sequência de vitórias no UFC. “Existe a possibilidade de fazermos essa luta. Vamos ver”, disse. Um confronto entre os dois chegou a ser cogitado no ano passado, mas não se concretizou após lesão do americano. Na ocasião, Anderson enfrentou e venceu Tyron Woodley.
Por outro lado, uma revanche contra Vitor Belfort está descartada. “Não existe a menor chance. O que tinha para acontecer comigo e o Vitor já aconteceu”, afirmou.
Distante das lutas do UFC como espectador, Anderson mantém atenção em nomes brasileiros em atividade. Entre eles, citou Charles Oliveira e Alex Pereira. “O Charles do Bronx é um cara excepcional, tem o Alex Poatan, que está construindo uma história incrível dentro do UFC. Estou sempre torcendo pelo Brasil.”
Paralelamente aos novos planos, o atleta também revisita sua trajetória em uma série documental lançada pela Paramount+, disponível globalmente. A produção, indicada ao Emmy Internacional, aborda desde a infância em Curitiba até o auge no MMA.
“Não é só sobre a minha história. É sobre o suporte, o amor e o carinho de uma família, sobre superação”, afirmou. Segundo ele, a narrativa não se concentra em um único momento, mas na construção completa da carreira. “Não teve um ponto chave na minha opinião que possa ser: ‘Ah, isso foi importante ter contado’. Tem muita coisa que a gente não teve tempo para editar e colocar. Por isso, torço bastante para que tenham novas temporadas para contar muitas outras coisas que são tão importantes quanto as que já foram contadas.”
A movimentação de Anderson Silva ilustra um reposicionamento profissional após décadas no esporte de alto rendimento, combinando novos projetos institucionais com a manutenção de sua presença no entretenimento esportivo.