Inovação
Respirador desenvolvido no RN aguarda aprovação da Anvisa para ser fabricado
Protótipo feito por pesquisadores do Senai no Rio Grande do Norte foi construído em 45 dias e tem custo estimado em R$ 15 mil, bem abaixo dos valores praticados no mercado de produtos hospitalares; aparelho é de fácil montagem e manutenção
Por Redação - Publicado em 13/05/2020 às 04:55
Divulgação
Protótipo potiguar já passou pelos testes clínicos promovidos por técnicos da UFRN
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U m projeto de produção de respiradores mecânicos desenvolvido por pesquisadores do Rio Grande do Norte, por meio do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), aguarda a aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para o início da fabricação em série. O equipamento poder utilizado pelos pacientes que precisam ser entubados em Unidades de Terapia Intensiva (UTI).

O aparelho foi totalmente desenvolvido pela equipe de engenheiros e técnicos do Senai potiguar em parceria com a Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). A instituição de ensino federal é responsável pela fase de testagem clínica. A Universidade Federal de Campina Grande (UFCG) também participa na etapa de documentação do projeto para aprovação e licenciamento junto a Anvisa.

O custo para aquisição é estimado entre R$ 10 mil a R$ 15 mil a unidade, uma vez que, neste momento, será produzido sem fins comerciais, somente para atender a demanda dos hospitais. Geralmente, aparelho+s de ventilação mecânica são comercializados no mercado entre R$ 52 mil podendo chegar a R$ 400 mil, dependendo da especificidade do produto.

O respirador mecânico invasivo com modo de operação controlada por pressão, monitora o volume de ar inspirado pelo paciente e é destinado aos casos mais graves que requer entubação (coma induzido).

O equipamento trabalha com pressão máxima de 60 centímetros de água e com controle de PEEP, possui tela ‘touch’, com um quadro de comando que atendem aos requisitos exigidos para responder as necessidades do paciente e da equipe de profissionais intensivistas que irão operar a máquina, além de dispor de banco de dados, sistema de volume, alarme e ser de fácil higienização e manutenção.

O projeto, explica o diretor do Instituto Senai de Inovação em Energias Renováveis (ISI-ER), Rodrigo Mello, surgiu na segunda quinzena de março, devido a urgência da pandemia, a escassez de material e a oferta de preço mais acessível. O protótipo foi concluído em cerca de 45 dias e está em fase de avaliação e calibração dos sensores de pressão e de volume.

“Estamos trabalhando hoje na calibração dos equipamentos, na fase de testagem clínicas feitas por especialistas e pesquisadores da área médica e também na elaboração do dossiê que será submetido à Anvisa para liberação do produto e da fabricação”, disse Mello.

A solução encontrada para a falta de materiais da indústria de medicina foi a de utilizar materiais e tecnologias da indústria de óleo e gás dominados pela equipe de engenheiros – o que conferiu uma aparência “mais robusta” ao aparelho.

O coordenador de Pesquisa do IS-ER, o engenheiro mecânico Antônio Medeiros, explica que além de usar insumos comumente aplicados na indústria de óleo e gás, como válvulas, o equipamento é de fácil montagem e fabricação. “A montagem é simples e pode ser feita por técnicos em eletromecânica ou em eletrotécnica”, esclarece o coordenador.

Ele lembra que a disponibilidade de alguns dispositivos de respiradores tradicionais existentes no mercado, para importação de países como Alemanha, Itália e China, prevista apenas para a partir de outubro deste ano foi um dos fatores que levou a equipe de engenheiros do ISI-ER a criar o protótipo. “Esta é uma solução para auxiliar o Rio Grande do Norte, mas também todo o país pela facilidade e rapidez da montagem”, encerra.

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