As vendas do comércio brasileiro registraram queda de 3,1% em fevereiro na comparação com janeiro e recuo de 2,2% em relação ao mesmo mês de 2025, segundo o Índice do Varejo Stone (IVS). O desempenho indica um início de ano mais fraco para a atividade, em um ambiente ainda pressionado por condições financeiras restritivas.
Para o economista e pesquisador da Stone Guilherme Freitas, o resultado reflete a combinação entre juros elevados, crédito mais caro e alto comprometimento da renda das famílias com dívidas. “O recuo de 3,1% na comparação mensal e de 2,2% na anual indica que o varejo começou 2026 em um patamar inferior ao observado no ano passado, que já havia sido desafiador para a atividade. Apesar de o mercado de trabalho seguir bastante resiliente, com desemprego próximo das mínimas históricas e avanço da renda, o consumo continua pressionado por um ambiente financeiro restritivo”, afirmou.

Na comparação mensal, os oito segmentos analisados apresentaram retração. A maior queda foi observada em livros, jornais, revistas e papelaria, com recuo de 17,9%, seguida por combustíveis e lubrificantes (6,5%) e tecidos, vestuário e calçados (5,3%). Também registraram desempenho negativo outros artigos de uso pessoal e doméstico (3,3%), móveis e eletrodomésticos (3,2%), material de construção (2,8%), hipermercados e supermercados (2,3%) e artigos farmacêuticos (1,6%).
Já na comparação anual, apenas dois segmentos avançaram, ambos ligados ao consumo essencial: hipermercados, supermercados, alimentos, bebidas e fumo cresceram 2,5%, enquanto artigos farmacêuticos avançaram 1,7%. Entre as quedas mais intensas estão tecidos, vestuário e calçados (11,3%) e móveis e eletrodomésticos (8,1%), além de retrações em outros artigos de uso pessoal (5,2%), livros e papelaria (5%), combustíveis (3,9%) e material de construção (1,5%).
O desempenho regional foi heterogêneo. Sete estados registraram crescimento na comparação anual, com destaque para Acre (10,8%), Roraima (4,7%) e Amapá (4,1%). Por outro lado, estados mais relevantes economicamente apresentaram retração, como Amazonas (7,1%), Espírito Santo (7%), Distrito Federal (6,3%), Rio Grande do Sul (6%) e Minas Gerais (5,5%). No Rio Grande do Norte, as vendas caíram 0,6%.
“O relatório mostra que, embora alguns estados tenham conseguido registrar avanço nas vendas, o movimento de desaceleração do consumo ainda é predominante. Observamos desempenhos positivos principalmente em parte da região Norte, enquanto estados do Sudeste e do Sul registraram retrações mais intensas”, disse Freitas. Segundo ele, o cenário reforça que o crédito restrito e o elevado endividamento seguem limitando a recuperação do consumo no país.
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