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Afirmação
Queda da inflação já está espalhada na economia, diz presidente do Banco Central
Para Ilan Goldfajn, redução do ritmo de alta dos preços, verificada inicialmente nos alimentos, já pode ser vista até no setor de serviços, que vinha pressionando o IPCA
Por Agência Estado
09/03/2017 | 06:14

A redução na taxa de inflação – o que no jargão econômico é chamado de “desinflação” –, verificada inicialmente nos alimentos, já se espalhou por diversos outros preços, incluindo o setor de serviços, que vinha sustentando a alta inflacionária. A constatação, feita pelo presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, deve ser reforçada na sexta-feira, 10, na divulgação do índice oficial de acompanhamento de preços, o IPCA.

Pelas perspectivas do mercado financeiro, a taxa pode puxar a inflação acumulada em 12 meses para menos de 5%, o que não ocorre há mais de quatro anos, e reforçar as previsões para uma convergência ao centro da meta, de 4,5%, ao fim do ano.

O quanto isso pesará no ciclo de queda de juros, iniciado pelo BC em outubro e mantido nas últimas quatro reuniões do Comitê de Política Monetária (Copom), ainda é indefinido. Em entrevista ao Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado, Ilan deixa a porta aberta para acelerar o ritmo de queda da taxa básica de juros (Selic), atualmente em 12,25% ao ano, após duas reduções de 0,75 ponto porcentual. Cortes nessa proporção não ocorriam desde o início de 2012.

Ele não se compromete com cortes no mesmo nível, mas argumenta que a inflação é apenas um dos fatores sob avaliação do BC. “Obviamente, vamos levar em consideração na nossa política qualquer impacto dos alimentos no resto dos preços. A inflação tem sido menor tanto pelos alimentos quanto pelo resto do índice”, diz. Mais à frente, o economista, que antes de assumir a presidência do BC chefiava a área econômica do Itaú, deixa em aberto todas as alternativas para os juros: “Pode ser repetido (o corte de 0,75 ponto porcentual), pode ser mudado, isso vamos avaliar ao longo das próximas semanas.”

Uma decisão, no entanto, Ilan faz questão de frisar: a opção do BC pela transparência, pelos mecanismos que tornem previsíveis ao mercado a direção da política monetária. Ele deixa claro que isso segue a mudança de rumo da política econômica, causadora, no passado recente, diz, da pior crise já vivida pelo País. E critica a intervenção de governos anteriores, que chegaram a congelar preços administrados, como os dos combustíveis.

“Estávamos numa direção de política econômica insustentável. Essa política mudou. Mas gerou consequências que têm custo até agora. Tivemos não só o impacto externo da queda no boom de commodities, mas também políticas econômicas aqui intervencionistas, que geraram muita incerteza. Tivemos fatores não econômicos que também geraram incertezas. Tudo isso levou a uma queda do PIB nos últimos dois anos que vamos reverter daqui para a frente”, afirma.

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