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Favoritismo

Privatização de aeroporto em Fortaleza aumenta chances de Natal receber hub

Também vista como favorita, Recife tem menos chances de receber investimento da Latam devido às residências aos redores do aeroporto
Kennet Anderson
06/04/2017 | 05:15

Mesmo ainda sem definição exata de qual cidade nordestina irá receber o mais novo centro de conexões para voos domésticos e internacionais da Latam Airlines (também chamado de “Hub da latam”), o cenário político e econômico nacional parece direcionar um maior favoritismo a Natal, segundo o professor universitário e especialista em engenharia de trânsito, Rubens Ramos.

Para ele, fatores como a privatização de alguns aeroportos nordestinos e uma maior facilidade de expansão do aeroporto São Gonçalo do Amarante, possibilitam que a capital potiguar seja esse novo polo de viagens internacionais. Caso isso ocorra, a cidade poderia movimentar cerca de 2 milhões de passageiros adicionais no início, e 3,2 milhões em 20 anos.

Privatização de aeroporto em fortaleza aumenta chances de Natal RN receber hub

Apesar de no início do processo a cidade de Fortaleza ter sido melhor vista para receber esse novo centro, Rubens aponta que com a privatização do Aeroporto Internacional Pinto Martins, a expectativa diminuiu. Isso porque os custos de investimentos adicionais exigidos pela Latam são de US$ 1,3 bilhão.

aeroporto de fortaleza
Aeroporto Pinto Martins, em Fortaleza

Aeroporto dos Guararapes, em Recife

Aeroporto dos Guararapes, em Recife

“A empresa privada lá não vai querer investir numa coisa que não vai ter retorno. A grande chance de Fortaleza, ou Recife, era com a Infraero [Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária], dinheiro público, que pela política, poderia ser gasto para fazer uma obra que não seria feita por empresa privada”, afirma.

Atualmente Natal já tem seu aeroporto concedido à iniciativa privada e Recife, com a recente privatização em Fortaleza e após declarações do ministro de Planejamento, Desenvolvimento e Gestão, Dyogo Oliveira, tem chances de também ser cedido à administração empresarial.

O investimento sendo feito por Natal, teria mais chances de garantir a efetividade de expansão do aeroporto Augusto Severo. Rubens avalia que com projetos já definidos pela Latam, a capital potiguar teria maior facilidade em realizar as mudanças em seu terminal, diferente das outras capitais que apresentam residências aos seus arredores, tendo que demandar mais tempo para desapropriações.

“Não há nenhuma restrição para que o aeroporto de Natal vire o Hub. Há porém muitas para Fortaleza e Recife. O terreno está lá, resta apenas construir. Já Recife e Fortaleza não tem terreno, teriam que desapropriar bairros populares vizinhos, é impraticável”, afirma.

Outro fator que também pode favorecer a cidade em receber o Hub, são os projetos de redes hoteleiras, já acertados com a Inframerica, prontos para serem construídos próximos as localidades do aeroporto. O especialista fala que uma das exigências da Latam é ter hotéis para que a tripulação se hospede assim que terminar sua viagem.

“Existe uma jornada de trabalho das pessoas. Ela começa na hora do check-out. Se fosse um hotel na Via Costeira, e alguém gastasse uma hora para chegar ao aeroporto, esse tempo conta como trabalho. Já um hotel colocado próximo ao aeroporto, ele dá o check-out e já está dentro do avião”, diz.

Mesmo com todas essas possibilidades para o Hub em Natal, Rubens avalia que ainda pode demorar um pouco essa definição devido às incertezas políticas e econômicas que o país passa. Apesar que de um lado a economia está voltando a crescer, aumentando o fluxo turístico, do outro há um impasse político, como a possível cassação de Temer, que pode acarretar numa total mudança de decisões político-econômicas.

“Com a inflação baixa, volta um sinal de estabilidade: juros mais baixos, construção civil, a venda de imóveis. A novidade é essa, mudança no cenário macroeconômico, mas uma incerteza política do ponto de vista do governo federal”, conclui.