O presidente da Federação das Indústrias do Rio Grande do Norte, Roberto Serquiz, defendeu que o próximo governador reduza a estrutura administrativa, revise contratos e aperfeiçoe as compras públicas para recuperar a capacidade de investimento do Estado. Ele também propôs avaliar o aproveitamento de ativos estaduais e criar um fundo de desenvolvimento para financiar projetos.
As propostas foram apresentadas aos principais candidatos ao governo em sabatinas organizadas pela Fiern. Para Serquiz, a prioridade deve ser o ajuste fiscal e a recuperação da capacidade de investimento próprio, diante de pressões de infraestrutura e Previdência.
No primeiro quadrimestre de 2026, o Rio Grande do Norte comprometeu 56,12% da Receita Corrente Líquida Ajustada com gasto de pessoal, maior percentual entre os estados e acima do teto de 49% previsto na Lei de Responsabilidade Fiscal. Em 12 meses até abril, a despesa alcançou R$ 11,28 bilhões, diante de receita ajustada de R$ 20,11 bilhões.
Serquiz sugere combinar controle de despesas e ampliação de receitas, com revisão de contratos, compras mais eficientes e estrutura administrativa mais enxuta. Segundo ele, a reorganização deve ocorrer ao mesmo tempo em que o Estado cria condições para receber empreendimentos e ampliar a atividade econômica.
A Previdência dos servidores civis arrecadou R$ 3,537 bilhões em 2025 e gastou R$ 5,559 bilhões com benefícios, gerando déficit superior a R$ 2 bilhões. A diferença é coberta pelo Tesouro Estadual e reduz a margem para investimentos.
Ao falar de ativos, o presidente da Fiern disse que o Estado tem mais de 4 mil e citou a Caern. Na estimativa apresentada por ele, a recuperação da estrutura da companhia demandaria aproximadamente R$ 10 bilhões. Serquiz não detalhou um modelo para a empresa, mas defendeu avaliar formas de aproveitamento do patrimônio público.
Ele propôs uma reserva para permitir contrapartidas e acesso a financiamentos. Em 2025, segundo a Secretaria do Tesouro Nacional, pessoal e encargos consumiram 75% da receita do RN, custeio respondeu por 21% e dívida, 2%; os investimentos ficaram com 4%, o menor percentual do país. Na Paraíba, os percentuais foram 57%, 28%, 1% e 13%, respectivamente.
Serquiz reconheceu dificuldades para executar as propostas, mas afirmou que a equipe técnica da Fiern está disponível para colaborar com o futuro governo e defendeu articulação política para implementar as mudanças.