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Economia

Pecuária: força econômica e desafios para crescer

Estudo da Faern aponta capilaridade da atividade no RN, avanços recentes e entraves na produção de leite, corte, agroindústria e sanidade animal
O Correio de Hoje
23/12/2025 | 17:09

A pecuária continua sendo um dos pilares econômicos, culturais e sociais do Rio Grande do Norte. Presente em praticamente todos os municípios, ela sustenta milhares de famílias — da bovinocultura de leite e corte à caprinocultura, ovinocultura e suinocultura, integradas às bacias leiteiras e às pequenas propriedades rurais.

Segundo estudo técnico da Federação da Agricultura e Pecuária do RN (Faern), essa capilaridade garante renda, ocupação e permanência no campo, permitindo que o setor funcione como eixo estruturante da economia rural potiguar.

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Pecuária influencia diretamente atividades como transporte, comércio de insumos e serviços veterinários - Foto:

O levantamento da Faern demonstra que a pecuária influencia diretamente atividades como transporte, comércio de insumos, serviços veterinários, logística e agroindústria. O Seridó segue como principal bacia leiteira, mas a produção de leite e carne se distribui por todas as regiões. Avanços recentes reforçam o potencial do setor: o frigorífico do Grupo Jucurutu, um dos mais modernos do Nordeste; laticínios que chegam a processar 150 mil litros por dia, mesmo em períodos de estiagem; e expansão da Assistência Técnica e Gerencial do Senar, que entre 2019 e 2025 atendeu 3.388 propriedades de bovinocultura de leite em 105 municípios.

Números do IBGE apontam que no tamanho do rebanho e pequena alta na produção de leite

Os dados mais recentes do IBGE revelam movimentos contrastantes no setor: o rebanho bovino diminuiu em 13%, passando de 1.173.351 para 1.326.932 cabeças. Já a produção de leite cresceu 2%, aumentando de 385.206.000 litros para 394.501.000 litros.

A Faern interpreta o cenário como reflexo de dificuldades estruturais, mas também de melhora na gestão e produtividade de parte das propriedades acompanhadas por assistência técnica.

Pecuária de corte: agroindústria é o maior gargalo

O estudo destaca que o elo mais frágil da cadeia é a falta de unidades de abate. Em diversos municípios, produtores precisam enviar animais para a Paraíba ou Pernambuco, aumentando custos e reduzindo competitividade.

A Faern aponta que é possível reativar abatedouros já instalados, desde que haja: adequações sanitárias e ambientais, parcerias entre municípios e iniciativa privada, linhas de crédito específicas, e modelos como PPPs e consórcios intermunicipais.

Avanços recentes incluem o funcionamento do Frigorífico Cesar Militão, em Lajes, e a retomada do abatedouro de Apodi, com apoio do Senar. A entidade defende também a redução temporária do ICMS para envio de animais vivos a outros Estados e ajustes no Proedi, exigindo que empresas instaladas no RN comprem parte da produção local.

Leite: baixa produtividade, custos e alimentação insuficiente

O estudo da Faern identifica entraves históricos na cadeia leiteira potiguar: baixa produtividade e escala, forte dependência de ração industrial, pouca adoção de sistemas agrosilvopastoris, dificuldade de acesso à assistência técnica, informalidade; insuficiência de inspeção sanitária, logística cara.

Segundo o IBGE, o produtor potiguar ordenha, em média, cinco vacas e produz menos de 50 litros por dia, volume insuficiente para garantir renda adequada.

A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) destaca soluções como integração de cultivos, capins resistentes, palma forrageira, leucena e gliricídia — tecnologias já testadas na Unidade de Referência Tecnológica de Angicos, criada em 2017.

Agroindústria do leite: necessidade de uma unidade-âncora

Entre 2015 e 2019, o RN ampliou o volume de leite industrializado e reduziu a informalidade, mas o setor sofreu retrocessos nos últimos anos por conta da instabilidade de mercado, sazonalidade e custos elevados.

A Faern defende a criação de um laticínio de médio porte, capaz de garantir a compra contínua de leite e estabilizar os preços pagos ao produtor.

Sanidade e fiscalização: potencial e limitações

O clima semiárido favorece a sanidade animal, mas ainda faltam mais estrutura para inspeção, laboratórios, e integração entre Idiarn, Covisa e Mapa. Grande parte dos problemas sanitários decorre de manejo inadequado, genética deficiente e alimentação insuficiente.

A Faern aponta que a renda do produtor é o principal entrave ao avanço da cadeia leiteira. A entidade defende a implementação do Conseleite, que ajuda a equilibrar preços entre indústria e produtor.

O cooperativismo, embora tenha bons exemplos — como Apasa e Coantal — ainda é limitado por falta de escala e governança.

O que precisa avançar: agenda da Faern para o setor

A entidade defende ações estratégicas, como: modernizar e ativar abatedouros regionais, ampliar frigoríficos com inspeção estadual e federal, ajustar incentivos fiscais para privilegiar compra de produção local, expandir assistência técnica e integração entre instituições, fortalecer inspeção sanitária, ampliar acesso a tecnologias e crédito, reduzir informalidade, estruturar arranjos produtivos e cooperativas.

Veterinário destaca o potencial produtivo da atividade, reforçado pela expansão da Assistência Técnica e Gerencial do Senar

Para o veterinário Caio Galtieri, a força da cadeia leiteira potiguar está na sua abrangência territorial e no papel social desempenhado pelos pequenos e médios produtores:
“A bovinocultura de leite está presente em todas as regiões do Estado, majoritariamente conduzida por famílias que encontram na atividade renda, ocupação e permanência no campo”.

Galtieri destaca o potencial produtivo da atividade, reforçado pela expansão da Assistência Técnica e Gerencial do Senar:
“Desde 2019, mais de 3 mil produtores foram atendidos com visitas mensais durante dois anos, estimulando escrituração zootécnica e melhor gestão do rebanho. A base de tudo é o suporte forrageiro”.

Ele explica que, em parceria com a CNA e a Embrapa, o Sistema desenvolve pesquisas com mais de 30 espécies forrageiras adaptadas ao Semiárido:
“Estudamos milho, milheto, sorgo, palma forrageira, leguminosas como gliricídia e leucena, além da moringa — tudo em regime de sequeiro, para orientar o produtor sobre o melhor material alimentar para o rebanho”.

No campo sanitário, o veterinário destaca a imunização realizada em 2025

“Só em agosto deste ano, contabilizamos mais de 10 mil futuras matrizes imunizadas contra brucelose. É um trabalho que nasce dos anseios do campo e busca garantir produção saudável e rentável”, disse Galtieri.

O estudo da Faern confirma que a pecuária potiguar tem grande força, diversidade e potencial de crescimento. Contudo, depende de modernização agroindustrial, avanços na alimentação animal, maior governança e melhoria na remuneração ao produtor.

Com integração entre governo, setor produtivo, assistência técnica e pesquisa, o RN pode transformar sua cadeia pecuária em uma das mais dinâmicas do Nordeste — aumentando renda, competitividade e desenvolvimento sustentável no campo.

Presidente da Fiern defende ajuste fiscal rigoroso e urgente para próximo governo do RN

O presidente da Federação das Indústrias do Rio Grande do Norte (Fiern), Roberto Serquiz, afirmou que o governador eleito em outubro do próximo ano precisará colocar o ajuste fiscal no centro da agenda administrativa, com medidas firmes e imediatas para equilibrar as contas públicas e devolver ao Estado a capacidade de investir.

Segundo ele, sem uma reestruturação profunda das finanças, o Rio Grande do Norte seguirá dependente de recursos federais e poderá reviver um cenário crítico já enfrentado no passado, como o atraso no pagamento de salários do funcionalismo.

As declarações foram feitas durante entrevista ao Podcast Fala, Indústria! na quinta-feira 18, em que Serquiz avaliou as ações da Fiern em 2025 e projetou os desafios econômicos e institucionais para 2026. Para o dirigente, o quadro fiscal atual é um obstáculo direto ao desenvolvimento. “O Estado tem um déficit de bilhões e isso tem tirado a capacidade de investimento, não há dúvida”, afirmou, ao comentar a aprovação do Orçamento de 2026 com déficit estimado em R$ 1,5 bilhão, conforme análises do Observatório da Indústria Mais RN.

Na avaliação do presidente da Fiern, o ajuste fiscal exige decisões duras. “As medidas são inadiáveis. É preciso dar um basta, frear as despesas”, disse. Entre as alternativas defendidas, Serquiz citou as privatizações como instrumentos reais para reorganizar as finanças públicas e melhorar a alocação dos recursos. “Com isso, é possível recuperar o Estado e não ficar dependente do governo federal”, acrescentou.

Serquiz ressaltou que o setor produtivo está preparado para contribuir com esse processo, mas cobra previsibilidade e segurança jurídica. “Os setores público e privado precisam fazer sua parte. O privado está preparado e a FIERN tem trabalhado nesta direção, a exemplo do Projeto de Meritocracia. Mas precisamos de legislações claras, investimentos em infraestrutura e de um ambiente de negócios favorável ao desenvolvimento sustentável”, afirmou.

Falando em nome das 3.513 empresas associadas à FIERN, que empregam cerca de 130 mil trabalhadores, o presidente foi enfático ao afirmar que o próximo governante não poderá postergar decisões. “Quem assumir deve fazer os ajustes, mesmo que sejam medidas urgentes e árduas, ou haverá dificuldades seríssimas”, alertou.

Na entrevista, Serquiz também mencionou avanços em marcos regulatórios no Estado, como a legislação de Parcerias Público-Privadas, o projeto da Política Industrial e a proposta de revisão da lei estadual de licenciamento ambiental, atualmente em discussão na Assembleia Legislativa, considerados essenciais para aumentar a competitividade e atrair investimentos ao RN.

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