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Economia

Mais diesel e gasolina no mercado

Petrobras aumentará oferta em meio à redução das importações e à diferença de preços em relação ao mercado internacional, que desestimula compras externas e pressiona o abastecimento
Por O Correio de Hoje
27/03/2026 | 16:54

A Petrobras decidiu elevar a oferta de diesel e gasolina para abril diante de um cenário de menor volume de importações no País. Segundo a companhia, serão disponibilizados volumes adicionais de 70 mil metros cúbicos (70 milhões de litros) de diesel S10 e 95 mil metros cúbicos (95 milhões de litros) de gasolina. A estatal informou que “esse volume já está devidamente incorporado aos compromissos assumidos para abril, dentro da dinâmica de atendimento dos contratos comerciais”.

De acordo com a empresa, o acréscimo de diesel S10 corresponde a cerca de 2% da média mensal entregue. Em 2025, a Petrobras tem distribuído aproximadamente 3,7 bilhões de litros por mês. No caso da gasolina, o volume adicional representa 5% do total mensal, estimado em 1,9 bilhão de litros.

Posto de combustivel (1)
Movimento da Petrobras ocorre em meio a alertas do setor sobre redução nos pedidos de importação para abril, o que pode levar a dificuldades no abastecimento - Foto: José Aldenir / O Correio de Hoje / Arquivo

O movimento ocorre em meio a alertas do setor sobre a redução nos pedidos de importação para abril. Fontes indicam que o line-up, normalmente em torno de 1,5 milhão de metros cúbicos (1,5 bilhão de litros) por mês, caiu para cerca de 400 mil metros cúbicos (400 milhões de litros) previstos para o período.

Dados da Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis apontam que o diesel comercializado pela Petrobras está 63% abaixo da paridade internacional, com diferença de R$ 2,26 por litro. Já a gasolina apresenta defasagem de 46%, o equivalente a R$ 1,17 por litro.

Especialistas avaliam que a alta do petróleo no mercado global tem levado importadores a reduzir as compras externas, diante das incertezas sobre preços e da dificuldade de competir com os valores praticados no Brasil. Esse cenário também tem estimulado consumidores a antecipar aquisições, tanto para evitar reajustes quanto por receio de desabastecimento — situação já registrada de forma pontual em algumas regiões.

Recentemente, a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, afirmou que os volumes de importação entre janeiro e abril haviam sido definidos ainda no início do ano, em negociação com empresas do setor.

Apesar disso, fontes avaliam que o volume adicional anunciado pela estatal é limitado, por representar apenas uma pequena parcela do consumo total.

Na semana passada, a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis adotou medidas para reforçar o acompanhamento de estoques e importações, com o objetivo de evitar problemas de abastecimento. Entre as ações, o órgão determinou que a Petrobras passe a detalhar informações sobre importações previstas, volumes ofertados, preços de compra e venda, locais de internalização, cronograma de chegada dos navios e identificação das embarcações, buscando ampliar a previsibilidade do mercado.

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