Investidores estrangeiros retiraram R$ 8,4 bilhões do mercado de ações à vista da Bolsa brasileira desde o segundo turno das eleições, segundo levantamento do Bank of America (BofA). O movimento reverte aproximadamente metade dos R$ 17 bilhões que haviam ingressado entre a primeira e a segunda etapa da disputa presidencial.
A análise aponta uma mudança no posicionamento dos investidores em relação aos ativos brasileiros. Além das vendas de ações na B3, o banco identifica resgates em fundos dedicados ao Brasil e destaca riscos para empresas que dependem do crescimento do consumo e da redução dos juros.

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Saída também atinge fundos negociados no exterior
Segundo o levantamento, os fundos voltados ao mercado brasileiro tiveram aproximadamente US$ 200 milhões em resgates na semana. Quase todo o volume ficou concentrado no EWZ, fundo negociado nos Estados Unidos que reúne ações de empresas brasileiras.
Desde o resultado do segundo turno, em 25 de outubro, as retiradas do EWZ somam US$ 1,3 bilhão. Entre os dois turnos, o fundo havia recebido US$ 4 bilhões.
Os números do EWZ e do mercado à vista da B3 representam medidas diferentes e não devem ser somados como se fossem um único fluxo. O primeiro acompanha movimentações em um fundo específico; o segundo considera o saldo das operações de investidores estrangeiros com ações na Bolsa brasileira.
Empresas endividadas estão entre as preocupações
Na avaliação do BofA, os maiores riscos estão concentrados em empresas cíclicas e alavancadas. São companhias cujos resultados dependem mais diretamente do ritmo da economia ou que possuem endividamento elevado.
O varejo aparece entre os segmentos potencialmente mais expostos. O banco aponta a combinação de crescimento mais fraco, endividamento das famílias e redução mais lenta dos juros como fatores capazes de pressionar a demanda e os lucros.
Na prática, consumidores com o orçamento comprometido têm menos espaço para novas compras. Ao mesmo tempo, juros elevados podem encarecer tanto o financiamento das empresas quanto o crédito oferecido aos clientes.
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O impacto varia conforme o nível de dívida, a geração de caixa e as características de cada negócio. A avaliação sobre um setor não significa que todas as empresas terão o mesmo desempenho.
Fundos brasileiros também registram resgates
A redução das aplicações não se limita aos estrangeiros. De acordo com o relatório, fundos de ações brasileiros tiveram resgates líquidos de R$ 1 bilhão na última semana, acima da média de R$ 700 milhões registrada nos três meses anteriores.
No acumulado do ano, as retiradas desses fundos somam R$ 19 bilhões. Em todo o ano de 2025, chegaram a R$ 48 bilhões. A comparação reúne períodos diferentes: o resultado parcial de 2026 e os 12 meses do ano anterior.
O que a retirada de recursos significa
O saldo negativo dos estrangeiros indica que, no período considerado, suas vendas de ações superaram as compras. Esse movimento pode aumentar a pressão sobre as cotações, mas não determina sozinho a direção da Bolsa.
Resultados das empresas, juros, câmbio e expectativas para a economia também influenciam os preços. Da mesma forma, uma queda no valor de mercado das companhias não corresponde automaticamente ao dinheiro retirado pelos investidores.
Para o cenário seguinte à eleição, o BofA destaca empresas com menor endividamento, capacidade de executar seus planos e exposição a receitas internacionais. Telecomunicações, exportadoras e construtoras voltadas à baixa renda aparecem entre os segmentos citados na análise.
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