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Economista avalia impactos da carga tributária brasileira na economia

24/02/2014 | 19:16

Em 2013 o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro foi cotado em torno de US$ 2 trilhões e 49 bilhões. Dessa fatia, 36,42% foram pagos pelos brasileiros em tributos, um valor equivalente a US$ 746 bilhões. Um número considerado “razoável” pelo economista Marcos Guedes, se levado em consideração que em 1986, no primeiro ano do governo do então presidente José Sarney, essa carga tributária era de 22,39%.

Na visão do economista, o elevado índice da carga tributária brasileira se deve, principalmente, à “sanha tributária dos governos”. Para se ter uma ideia, entre os países do grupo político de países emergentes denominado BRICS, do qual fazem parte Brasil, Rússia, índia, China e África do Sul, o Brasil é campeão em arrecadação tributária, com o valor já supracitado, de 36,42%. Em segundo lugar está a Rússia com 23%; a China com 20% ocupa o terceiro lugar, seguida de Índia 13% e África do Sul com o menor percentual, 18%. “Daí você já vê o nível de competitividade dos produtos chineses, por exemplo, em relação aos produtos brasileiros, com essa carga tributária tão elevada”, analisou Marcos Guedes, em entrevista na manhã desta segunda-feira (24) à Rádio Cidade (94FM).

Economista avalia impactos da carga tributária brasileira na economia

Em relação à América Latina o Brasil só perde para a Argentina no nível de tributos arrecadados anualmente. Enquanto o brasileiro paga 36,42% de tributos por ano, o argentino paga um pouco mais, 37,3%. Em terceiro lugar vem o Uruguai com 26,3%. O país que possui a menor carga tributária na América Latina é a Guatemala, que cobra em tributos 12,3%, menos que o dobro que Brasil e Argentina recebem dos contribuintes.

“O que nós pagamos a mais em tributos no Brasil é mais do que o Produto Interno Bruto da Arábia Saudita, que é um dos maiores produtores de petróleo do mundo; Suíça, Suécia, Noruega, Irã, Bélgica”, exemplifica.

As elevadas taxas de tributos cobradas no Brasil causam um impacto considerável na economia do país. Um exemplo é a diminuição da competitividade, em contraste com países que cobram taxas tributárias mais baixas de seus contribuintes. Produtos como o porcelanato, por exemplo, que é um tipo de revestimento cerâmico usado interna e externamente, sai mais barato para o brasileiro importá-lo da China do que comprá-lo no mercado local. “O porcelanato, por exemplo, mesmo pagando frete, pagando imposto de importação, pagando imposto de internalização, sai muito mais barato importá-lo da China do que você adquirir o porcelanato comprado aqui em Mossoró”, ilustra Marcos Guedes.

Esse é apenas um exemplo do quanto o Brasil perdeu em competitividade ao longo dos anos em relação ao mercado mundial. Algumas vezes, como se viu no exemplo acima, o produto local torna-se quase inacessível em relação aos produtos de nível internacional, mesmo que esses produtos precisem viajar milhares de quilômetros para chegar ao país importador.

O Jornal de Hoje