Cada pessoa tem um sonho especial, é aquele desejo que vem do fundo da alma, é algo que a completa enquanto ser humano e capaz de trazer enorme júbilo, que é uma alegria extrema. Há os que acalentam quimeras e utopias, mas há os que esperam algo certo e merecido. Este é o caso da juíza Sandra Elali que tomou posse como desembargadora do Tribunal de Justiça do RN. Conhecida pela seriedade, produtividade e compromisso com o trabalho e justiça, assim como pelas peças jurídicas altamente elaboradas e impecavelmente escritas, ela chegou no lugar onde há muito já devia ocupar. Tornou-se a 8ª mulher na segunda instância da Justiça Estadual. Com 44 anos de serviços prestados, conduta irrepreensível, grande e notório saber jurídico é de se admirar que tenha chegado à corte por antiguidade. Vaiocupar a vaga aberta pelo grande amigo, o juiz Virgílio Macedo, falecido em julho último.
Sandra Elali já deveria ter chegado por indiscutível merecimento. Pela lucidez, pela honra, pelo amor ao que faz. Mas creio que chegou na hora exata, quando a própria justiça abre seu olhar e atenção para uma maior participação feminina neste poder. Querida Sandra, a admiro pelas inúmeras qualidades, inteligência, gentileza, sabedoria, mas principalmente por uma resiliência ativa. Por nunca ter desistido do seu maior sonho. Muito mais que ser uma satisfação pessoal para ela é (isso sim) um privilégio para o TJRN tê-la! A legião de pessoas que foram prestigiar sua posse prova o que eu digo. Representantes do MP, da OAB, TRE, TRT e Defensoria pública, amigos, familiares e muitos juízes.
Sobre a cerimônia, foram belos os momentos nos quais Marina Elali, filha da desembargadora entoou o hino nacional. Ela, o irmão André Elali e o pai, o empresário Sami Elali foram os responsáveis pela investidura da toga tradicional, uma formalidade que atesta a entrada oficial no Tribunal. Coube ao amigo Ricardo Procopio fazer a saudação em nome da corte. Trouxe palavras verdadeiras sobre a filha, a mãe, a esposa, a avó e a profissional de extenso currículo. Já em sua fala, Sandra Elali extravasou toda emoção que o momento merecia e permitia. Falou, sim, que estava realizando um sonho acalentado por muitos anos. Eu diria que ela trabalhou afincadamente e que desde seu primeira dia na magistratura sempre foi o que agora é, de fato e de direito: desembargadora do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte.
