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Elias Luz

Entre o púlpito e a urna: a fragmentação política das igrejas no RN

Confira o artigo de Elias Luz desta quinta-feira 12
Elias Luz
12/02/2026 | 07:08

O cenário político do Rio Grande do Norte reflete uma tendência nacional: a crescente influência das instituições religiosas nas decisões de voto e na ocupação de cargos eletivos. Embora o senso comum frequentemente associe o segmento evangélico e católico conservador a uma pauta exclusivamente de direita, a realidade potiguar revela um mosaico de posicionamentos que vão do conservadorismo moral ao ativismo social progressista.

A maioria das denominações cristãs no Estado, especialmente as evangélicas de matriz pentecostal e neopentecostal, tende a se alinhar com partidos e candidatos de direita. Esse fenômeno é impulsionado, majoritariamente, pela “pauta de costumes”. Temas como a preservação da família tida como tradicional e a oposição ao aborto criam uma identificação direta com o discurso de figuras conservadoras.

As pesquisas como armas de tapeação: Estatísticas distorcidas alimentam narrativas políticas - Foto: José Aldenir/Agora RN
Urna - Foto: José Aldenir/Agora RN

No RN, essa aliança se materializa em bancadas religiosas na Assembleia Legislativa e nas Câmaras Municipais, onde o apoio a pautas de segurança pública e liberdade econômica é justificado como uma extensão da proteção dos valores cristãos contra o que lideranças denominam “ameaças ideológicas”.

Para o eleitorado conservador, a política é vista como uma ferramenta para frear o secularismo.

Apesar da hegemonia conservadora, existe uma ala significativa de evangélicos e católicos que se posiciona à esquerda. No Rio Grande do Norte, esse grupo fundamenta seu voto na “Teologia da Libertação” ou na “Missão Integral”. Para esses fiéis, a política deve focar no combate à desigualdade social, na justiça econômica e na proteção das minorias, vendo no Estado um promotor do bem-comum bíblico.

Entidades como a Cáritas, que no Rio Grande do Norte atua diretamente com paróquias para atender famílias em situação de vulnerabilidade, exemplificam essa vertente que prioriza a assistência social e a segurança alimentar como pilares da fé. Esses grupos defendem que ser cristão é, inerentemente, lutar contra a exploração dos mais pobres, alinhando-se a partidos que propõem políticas públicas de distribuição de renda e fortalecimento do SUS.

A política potiguar em 2026 demonstra que as igrejas deixaram de ser apenas espaços de culto para se tornarem centros de debate cívico. Seja pela direita, com foco na moralidade, ou pela esquerda, com foco na justiça social, o eleitor religioso do RN está cada vez mais consciente de seu peso. O desafio dos candidatos é transitar por esses templos sem ferir a laicidade do Estado, entendendo que o “voto evangélico” ou “católico” não é um bloco único, mas um campo em constante disputa ideológica.