Falar de maternidade é sempre um desafio. Não há mulher que já tenha provado disso que não tenha algo a dizer, revelar, acrescentar. Porque por mais que pareça que todas são iguais, são e não são. O que brota da intimidade de cada uma traz expressões diferentes, numa matiz de cor inimaginável. Talvez porque livro algum, conselho, filme, observação nos prepara para essa grande e infinita viagem, nem mesmo quando some ou deixa de existir o objeto desse afeto. Tenho a impressão que o corte do cordão umbilical é figurado. De fato esse fio visceral nunca deixa de existir, essa ponte entre a mãe e um pedaço dela, que nasce, cresce e se desenvolve fora. Quando esse ser deixa de habitar dentro de nós, passa a habitar numa bolha criada por nós e nossos olhos que sempre vão enxergar neles pequenas crianças.
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Por mais que a data do Dia das Mães tenha ganho uma vertente absurdamente comercial, é um bom momento de reflexão também sobre como estamos educando as futuras gerações. Nós, mulheres, (mas não somente) temos um papel primordial nisso. Vem de nós a primeira e talvez mais forte referência de cuidado, responsabilidade, atenção e amor. Mesmo aquela que tem mais de uma cria possui a capacidade de agir com justiça e equanimidade. Não, os filhos não são iguais e nossa relação com eles também não é. E o coração sempre sabe o quando e o quanto precisa agir. É tipo um super poder, daqueles que muito dariam um braço para ter.
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Mas não pense que tudo é exatamente esse mar de rosas, esse céu de brigadeiro, por que não é mesmo! Há tanto envolvido que só enumerar seria exaustivo, e de exaustão mãe entende, e como. Digo que seria necessário receber apenas um centavo para se tornar multo milionária em um ano, a cada vez que o filho fala mãe e logo em seguida entrega uma demanda. Seja colo, cartolina de última hora pra o trabalho da escola, as inquietações adolescentes, as dúvidas, os medos, os assombros e também as alegrias. Dificilmente se acha uma mulher que não eleja os momentos com os filhos dentre os mais especiais e melhores de toda uma vida. Há memórias em todos os momentos, desde que aquele ser pequeno abre os olhos.
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Também sei que para muitas não é um domingo leve. Há inúmeras mulheres que vão ter um dia sofrido seja pela perda fisica, o afastamento escolhido, por sentir o ninho vazio ou por observar que muitas já realizaram o sonho que ela tanto acalenta e que, por vezes, até a sociedade cobra. Penso como seria especial entender que a maternidade não vem apenas desses laços de sangue. Os laços humanos deveriam até ser mais fortes. Que bom seria se tratássemos todos como filhos e fôssemos tratadas todas como mães. É possível que muitos dos absurdos que vemos hoje em dia não ocorressem.
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Bom, esse é só um texto para parabenizar aquelas que ousaram dar vida, ser vida. Um abraço fraterno a grandes amigas e exemplos de mães reais e também para a minha querida Maria de Lourdes que, do alto de seus 80 anos, ainda encontra beleza no cuidar e no servir. Te amo mãe! Aos meus filhos que me deram este posto. Tudo, sempre e sempre por vocês!
E só para acabar com uma reflexão deste belo dia, acho sempre necessário um texto de Kalil Gibran:
“Vossos filhos não são vossos filhos.
São os filhos e as filhas da ânsia da vida por si mesma.
Vêm através de vós, mas não de vós.
E embora vivam convosco, não vos pertencem.
Podeis outorgar-lhes vosso amor, mas não vossos pensamentos,
Porque eles têm seus próprios pensamentos.
Podeis abrigar seus corpos, mas não suas almas;
Pois suas almas moram na mansão do amanhã,
Que vós não podeis visitar nem mesmo em sonho.
Podeis esforçar-vos por ser como eles, mas não procureis fazê-los como vós,
Porque a vida não anda para trás e não se demora com os dias passados.
Vós sois os arcos dos quais vossos filhos são arremessados como flechas vivas.
O arqueiro mira o alvo na senda do infinito e vos estica com toda a sua força
Para que suas flechas se projetem rápidas e para longe.
Que vosso encurvamento na mão do arqueiro seja vossa alegria:
Pois assim como ele ama a flecha que voa,
Ama também o arco que permanece estável”.
Feliz Dia das Mães!
SAIBA TUDO
A Pinacoteca Potiguar recebe a partir de hoje a primeira exposição individual do artista independente Janderson Azevedo. “Contra a Máquina de Moer Mundos” aborda temas como disputa territorial, violência política e exploração dos recursos naturais. Gratuita.

A cantora Jaina Elner faz hoje, 9, show exclusivo de samba, tendo como convidadas especiais Dani Cruz e Valéria Oliveira, no espaço Seu Jerónimo, a partir das 17h. Na ocasião ela também comemora seu aniversário.
Um dos mais seletivos encontros de liderança e negócios do Nordeste, o C-Levels Academy marca sua chegada a Natal em jantar nesta segunda-feira 11, no Cicchetti. Na ocasião o evento, que ocorre no dia 10 de junho, será totalmente apresentado.
Mariana Siqueira, Adriana Magalhães e Érika Canuto são alguns dos nomes no II Encontro das Procuradorias da Mulher no Legislativo Potiguar que ocorre dia 12 de maio, reunindo vereadoras, gestoras públicas, especialistas em rede de proteção e lideranças femininas.
Gravado ao longo de 16 anos, o novo álbum de Seu Jorge traz um lado pouco conhecido do cantor com regravações ambiciosas de canções nacionais e internacionais. Lançado ontem, “The Other Side” (pode ser ouvido no Spotify) apresenta 11 faixas.
HAPPY BIRTHDAY
Graça Queiroga, Matheus Peres, Marcelo Bezerra, Elionay Canara, Renata Passos, Padre Francisco Motta, Adelino Marinho.
DOMINGO
Vitor Pacheco, Anna Karenina Fernandes, Clarissa Sá, Heldon Simões, Renata Alecrim, Juliana Porciuncula, Fábio Rogério, Canindé Gosson, Afrânio Miranda e Bia Araujo
SEGUNDA
Jaina Elner, Claudiny Cavalcanti, André Buarque, Brunna Pedroza, Augusto Maranhão, Patrícia Fonseca Bezerra, Karina Maruska, Felipe Macedo Dantas, Mônica Jucá, Ana Beatriz Sousa Peres e Troy Terence.