Eu seria injusta se não utilizasse esse espaço hoje para me despedir — do melhor jeito que eu sei, escrevendo — da amiga Helga Oliveira. Conheci Helga bem antes dos nossos caminhos em comum no jornalismo. Foi num dia em que, em vez da aula no Neves, segui com amigas para a Festa do Boi. Foi na casa dela — amiga de uma amiga e parte da gangue — que vesti um jeans de quem nem lembro. Pulamos o muro. Nunca esqueci o modo gentil como ela nos recebeu e participou daquela aventura. Anos depois, quis o destino que Rommina Jácome fosse minha colega de turma na Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Pronto, estava aí estabelecida uma ponte em trio que, com o passar dos anos, tornou-se cada vez mais firme.
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Não posso dizer que éramos amigas muito íntimas e inseparáveis, mas posso afirmar com todas as letras que sempre houve entre nós um afeto genuíno e uma proximidade que só os bons encontros propiciam. Militamos na mesma profissão nos anos 1990, ela como uma das primeiras mulheres na crônica esportiva e sucesso absoluto na TV Cabugi. Tendo Rô como elo, nasceu em nós um afeto bonito, uma admiração mútua. Reconheci um brilho naqueles olhos verdes diferente, único, que trazia uma força sutil materializada quando precisava defender o que acreditava. Helga era coragem. Quando deixou a principal emissora do Estado para empreender com a Herbalife, muitos a classificaram como louca. Como era possível abandonar um palco global onde muitos queriam estar para trilhar um caminho incerto, com um produto que meio mundo questionava? Pensa que ela ouviu? Queria viver, queria construir algo. Não trilhou só.
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Quis o destino que um encontro no Hooters — casa que marcou a noite natalense no Chaplin — lhe trouxesse o grande amor de sua vida: Luís Henrique. Com ele, formou um dos casais mais queridos da cidade. Creio que foi ela, inclusive, que o incentivou a seguir caminho da comunicação, do entretenimento, valendo-se do talento natural em frente às câmeras. Ela era agregadora. Lembro que, em um de seus aniversários, escrevi um texto cujo título era “Faça amigos, pergunte-me como”. Para ela, isso era muito, muito fácil. Chegava logo com um sorriso, um comentário ou um torpedo. Não tinha medo de falar. Entre suas principais qualidades, estava a de ouvir e aconselhar com sinceridade.
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Uma música atual diz que “viver é diferente de estar vivo”. Helga Oliveira sabia viver. Tinha consciência plena das próprias escolhas. Dentre as mais recentes, a da dedicação incondicional à família, ao marido e aos filhos Pedro e Caio. Este último revelou nela outra vertente: a de defensora dos direitos dos neuroatípicos. Foi voz ativa, foi abraço acolhedor e pegou para si uma missão que muitas, ante o diagnóstico, rejeitariam. Foi mãe no sentindo mais amplo e belo da palavra. Para muitas um exemplo. Mas ela não se atinha a isso, não se envaidecia. Seguia.
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Sempre que alguém “parte”, leio um texto de uma amiga que diz que a morte compõe o mistério do tempo e que a maneira que a gente se eterniza é pelo bem que fazemos. Hoje acredito que vivemos de outro modo. Quando a matéria se esvai, creio que temos começo, meio e começo. Creio que a galega vive mais que nunca, porque mora definitivamente no nosso coração, nas memórias das conversas, no riso claro e espetacular. Comigo, o jeito que gritava quando a gente se encontrava, com aquela voz melodiosa: “Neeeega!”.
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Ontem, no velório, não chorei. Não porque não sentisse ou não compartilhasse da dor de todos os que estavam ali, mas por me sentir preenchida por tanto amor que todos emanavam naquele lugar. Helga Oliveira seguiu para a casa eterna deixando como referência amor, harmonia e união, coisas que, diante dos desafios diários, estão sendo cada vez mais esquecidos. Brigamos por nada e nos desentendemos por miudezas que, com o tempo, vão perder o sentido. Viramos as costas e abraçamos a separatividade. Preferimos a solidão ao entendimento, as nossas convicções temporais à certeza que aqui é pura passagem. Aqui é apenas tempo para melhorar e cultivar o que faz sentido para a alma.
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Antes de deixar este plano, Helga Oliveira deixou uma mensagem para uma amiga querida, falando de finitude, dizendo que ela precisava lidar melhor com a morte. Todos precisamos, porque na verdade precisamos aprender a viver. Não só estar vivo. Necessitamos abandonar qualquer coisa que nos separa ou distancia das pessoas até para que, na hora da despedida, não restem lacunas. A resiliência do meu amigo Luís Henrique, junto a dor inimaginável, me mostrou que ele disse tudo. Por isso, foi seu beijo o ponto de despedida no hospital. Sua fortaleza nos últimos dias movimentou uma corrente uníssona pela recuperação dela. Ele sabe os desafios que o esperam, mas nunca estará só.
Deixo ainda meu abraço apertado ao irmão Vanderson Oliveira, um gigante.
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Helga Oliveira nos deixou no tempo onde o mundo está voltado para a Copa, para o esporte que tanto amava, quando há uma energia surreal no ar. Hoje faria 52 anos. Foi amiga, foi maternal, foi profissional, empreendeu… Mas, o mais importante: deixou em todos que a conheceram uma marca, a de um ser humano, humano, que se realizou pelo bem que espalhou. Descanse em paz galeguinha!
HAPPY BIRTHDAY

Augusto Bezerril, Maria Eleonora Castim, Ana Carolina Costa, Rodolfo Pena Lima, Marília Bezerra, Thaisa Barros, Mildred Dore. Xisto Thiago Barreto, Gerlane Alves, Jeane Oliveira e Felipe Melo
Domingo
Danielly Rego, Francisca Gosson, Rose Gusmão, Olga Barros, Juliana Protasio, Ronaldo Barros, Joir Ramalho, Ivani Dantas
Segunda
Heitor Almeida, Mariana Gurgel, Flávia Diniz, Jaime Ubarana, Andrea Lofaro, Anyssa Ayalla. André Lyra, Manoel Ramalho, Luciana Dantas