O final de semana foi marcado por uma implosão. A ex-prefeita Rosalba Ciarlini aguardou até o último instante para quem iria pender nas eleições deste ano à Prefeitura de Mossoró. Na sexta-feira, 2, adiou a convenção do seu partido, o Progressistas, para fazer o anúncio somente no domingo, 4. Na mesma sexta, seu nome foi alçado como pré-candidata a vereadora.
Houve certo alvoroço em seu partido. Afinal, mesmo em frangalhos, o rosalbismo ainda detém capital eleitoral que poderia fazer diferença à disputa proporcional. Dada como certa sua participação na disputa à Câmara, dois dos principais nomes do partido resolvem abandonar a nominata. A ex-prefeita Cláudia Regina e a ex-vereadora Arlene Sousa correm da disputa e Rosalba fica desprevenida. Em um agrupamento de poucos votos, as duas representavam potencial importante que, nas condições dadas, apenas alimentaria as pretensões de Rosalba. Sendo assim, ela voltou atrás. A nominata implodiu com pequenas chances de recuperação.
No que seria o ensaio de retorno efetivo do rosalbismo à política, a convenção do domingo resultou em constrangedor evento que entregou, tão somente, seu apoio ao empresário Genivan Vale (PL), o nome escolhido pelo senador Rogério Marinho para a disputa. Após negociações que incluíram até a venda de emissora de rádio do grupo, Rosalba inclinou-se à chapa que contará também com aquela que foi sua vice no passado, a dentista Nayara Gadelha (PL).
A implosão da nominata foi a surpresa de todos, mas o apoio de Rosalba a Genivan surpreendeu particularmente o grupo do presidente da Câmara, Lawrence Amorim (PSDB), que a aguardava. Como o PT abriu mão de candidato para ungir o vereador, acreditava-se que a boa relação de Rosalba com a governadora Fátima Bezerra seria levada em consideração. Não aconteceu. Como também, até o momento, não se materializou o discurso de que Lawrence seria o nome capaz de unificar a oposição em sua chamada “frente ampla”. O PT oferece o apoio e a condução velados nos bastidores à chapa que ainda contará com a vereadora Carmem Júlia (MDB), a única composição que integra dois vereadores.
Outras surpresas se sucederam no fim de semana. O anúncio do vice do prefeito Allyson Bezerra foi feito em clima de “chá-revelação”, no sábado, 3. O servidor federal Marcos Medeiros, um dos nomes cogitados por analistas políticos (incluindo este colunista, vide texto “A expectativa do vice de Allyson Bezerra”), foi o nome revelado. O prefeito ressaltou sua lealdade e preparação para o cargo. Allyson é o líder disparado nas pesquisas, quando no último levantamento do Instituto Exatus, ele apresenta 71,64 pontos de vantagem sobre os oponentes.
Das cinco chapas sacramentadas, uma é composta por mulher. Irmã Ceição volta a disputar a prefeitura. Em 2020, ela angariou 378 votos. Seu vice é Fábio Félix, do mesmo partido: o PRTB. No campo progressista, apenas um grupo confirmado: os estudantes Victor Hugo e Renan Marrocos, ambos do Unidade Popular Pelo Socialismo (UP). São tratados como candidatos de extrema-esquerda quando comparados à linha mais conciliatória e pragmática que descaracterizou o PT. Eles se colocam como nomes onde “trabalhadores e trabalhadoras, que são a imensa maioria dos eleitores em Mossoró, estavam sem representação, sem uma candidatura realmente advinda das camadas populares”. Ou seja, o UP volta-se à uma perspectiva trabalhista para ocupar o espaço que o PT deixou.
William Robson é jornalista e professor. Doutor em Jornalismo (UFSC) e mestre em Estudos da Mídia (UFRN)
