O Brasil apresenta uma das taxas mais baixas de produtividade do trabalho. Entre cem países considerados pela Organização Internacional do Trabalho (OIT), estamos no 94º lugar. Em média, nosso trabalhador produz apenas a quarta parte do seu análogo estadunidense. A preocupação com a baixa produtividade é antiga — e ela piorou muito nos últimos 20 anos. Melhorou em vários países, principalmente na Ásia e na Europa Central; apenas países africanos tiveram resultados piores que os nossos.
As principais causas desse quadro são conhecidas, mas quase nada tem sido feito para eliminá-las ou atenuá-las. É o caso do transporte de mercadorias, que tem custo altíssimo no país — em grande parte porque dependemos de caminhões e rodovias. Por que não se constroem mais ferrovias? A carga tributária também prejudica nossa produtividade. Temos uma das maiores do mundo, da ordem de 34% do PIB.

Uma causa ainda pouco mencionada aparece em estudos feitos nos últimos 15 anos por dois pesquisadores: Nicholas Bloom, de Stanford, e John Van Reenen, da London School of Economics. Eles desenvolveram uma metodologia que mede a qualidade da gestão das empresas a partir de entrevistas com seus principais executivos. O método foi chamado de World Management Survey (WMS) e costuma avaliar cerca de seis mil empresas a cada quatro ou cinco anos.
Com esse método, atribui-se uma nota a cada empresa e depois as classificações são agregadas por país. Assim, a média das empresas de um país forma sua média nacional. É assim que se constata que a média das empresas brasileiras está entre as mais baixas do mundo. Desde o primeiro estudo, divulgado em 2010, nossa nota média permanece praticamente a mesma. Não é o caso das empresas chinesas, que tinham notas semelhantes às brasileiras no início, mas hoje avançaram significativamente.
Van Reenen e Bloom calculam que, para cada 1% de melhora na qualidade da gestão, há impacto de 6% no crescimento da produtividade dos respectivos países. O próprio Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) demonstra preocupação com esses resultados, que deveriam estimular no Brasil um esforço nacional para melhorar a gestão.
É verdade que o país conta com empresas altamente eficientes no cenário internacional, como Embraer, Natura, Raízen, JBS, Petrobras, WEG e Gerdau. Mas não são muitas.
Isso fica claro na lista das duas mil maiores empresas do mundo, elaborada anualmente pela revista Forbes. Na edição deste ano aparecem apenas 27 empresas brasileiras — 1,35% do total. Os Estados Unidos contam com 612 empresas e a China com 317. Curiosamente, há 30 anos, em 1995, China e Brasil tinham praticamente o mesmo número de empresas na lista — cerca de 35 cada.
Os estudos de Van Reenen e Bloom também mostram por que a gestão brasileira é mal avaliada. O país precisaria levar adiante uma verdadeira cruzada pela melhoria da gestão. Todos conhecem o desperdício de recursos no setor público, os critérios políticos para escolher gestores e dirigentes e a falta de metas e cobrança de resultados. O que talvez seja menos lembrado é que esses mesmos vícios também aparecem no setor privado.
Todos concordam que a produtividade é um problema real do Brasil. Por isso é necessário discutir como melhorar a gestão de empresas públicas e privadas. O curioso é que esse tema ainda não entrou na agenda de prioridades. Pura má gestão!