O Acidente Vascular Cerebral (AVC), conhecido popularmente como derrame cerebral, é uma emergência médica que exige atendimento imediato. No Brasil, é uma das principais causas de morte e incapacidade, afetando milhares de pessoas a cada ano. Poucos sabem que as primeiras 72 horas após o episódio são decisivas para a sobrevida e a recuperação do paciente, e que a fisioterapia já desempenha um papel fundamental nesse momento.
O AVC ocorre quando há uma interrupção no fluxo sanguíneo cerebral, seja por bloqueio (isquêmico) ou sangramento (hemorrágico), levando à morte rápida de células nervosas. Por isso, ao surgirem sinais, tais como fraqueza súbita em um lado do corpo, dificuldade para falar ou compreender, assimetria facial, perda de equilíbrio, visão turva ou dor de cabeça intensa e súbita, é essencial acionar imediatamente o SAMU (192). Cada minuto conta para minimizar danos e salvar vidas.

Após a estabilização médica, a reabilitação precisa começar rapidamente, com destaque para a fisioterapia. Ainda na UTI ou enfermaria, o fisioterapeuta atua para prevenir complicações graves como escaras, infecções respiratórias, tromboses e rigidez muscular, além de estimular movimentos residuais e preservar a função pulmonar com exercícios respiratórios. Também se iniciam estímulos neurológicos que favorecem a reorganização do cérebro, um processo chamado neuroplasticidade.
Quanto mais cedo a fisioterapia é iniciada, maiores são as chances de o cérebro reaprender funções perdidas. Por isso, o trabalho fisioterapêutico precoce é decisivo para reduzir complicações, encurtar o tempo de internação e melhorar os resultados funcionais do paciente.
A atuação do fisioterapeuta integra-se a uma equipe multiprofissional, formada por médicos, enfermeiros, terapeutas ocupacionais e fonoaudiólogos. Além do cuidado direto com o paciente, é fundamental orientar a família desde o início, preparando cuidadores para o retorno ao domicílio e para a continuidade da reabilitação.
O tratamento prossegue após a alta, podendo ocorrer em clínicas, ambulatórios ou no próprio domicílio, com foco na recuperação de funções motoras, melhora do equilíbrio, marcha, coordenação e, sobretudo, na promoção da autonomia e qualidade de vida.
Como fisioterapeuta com 25 anos de experiência em reabilitação neurológica, posso atestar que as ações efetivadas nas primeiras 72 horas podem definir o futuro funcional da pessoa. Já vi pacientes que, com estímulo precoce, recuperaram a fala, voltaram a andar e retomaram suas atividades. Infelizmente, também acompanhei casos em que a reabilitação tardia comprometeu a independência do paciente.
Falar sobre AVC é um dever de todos. Reconhecer os sinais, agir rapidamente e valorizar a fisioterapia desde o início pode salvar vidas e devolver dignidade. Reabilitação não é apenas recuperação, é uma chance de recomeçar.