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Artigo

Alexandre, o Pequeno

Confira o artigo de Hélio Oliveira nesta terça-feira 1
Hélio Oliveira
01/04/2025 | 06:15

Por algum tempo, acreditei que o Supremo Tribunal Federal fosse um bastião da Justiça, um espaço onde a Constituição era respeitada e protegida. No entanto, nos últimos anos, especialmente sob o comando de Alexandre, o Pequeno — que ironicamente se enxerga acima de todos —, o STF se transformou em algo bem diferente do que manda nossa Carta Magna.

Curioso como a história se repete. Alexandre, o Grande, rei da Macedônia, conquistou vastos territórios e sonhava em ser um deus entre os homens. Mas por trás da grandiosidade de seus feitos, havia um homem impulsivo, dominado pelo ego e pelo desejo de controlar tudo e todos. O mesmo ocorre com Alexandre, o Pequeno, nosso ministro togado que se considera acima das instituições e das leis. Sua toga se tornou uma coroa, e sua caneta, uma espada que ceifa vidas através de suas decisões. Mas, no fim das contas, assim como seu xará da Antiguidade, ele revela ser menor do que imagina: autoritário, mesquinho e desesperado por controle absoluto.

O ministro do STF, Alexandre de Moraes| Foto: Carlos Moura/SCO/STF
O ministro do STF, Alexandre de Moraes. Foto: Carlos Moura/SCO/STF

Alexandre, o Pequeno, age como se fosse o único intérprete legítimo da lei, acumulando poderes que não lhe foram concedidos. Criou inquéritos sem base legal, nos quais investiga, acusa e julga ao mesmo tempo. Isso, em qualquer democracia minimamente séria, seria motivo de escândalo e imediata reação institucional. Mas aqui, parece que todos se curvam diante de seu autoritarismo, enquanto ele se deleita em sua autoimagem de “defensor da democracia”.

Alexandre, o Pequeno, censura jornalistas, retira do ar perfis de redes sociais sem qualquer transparência e manda prender opositores políticos sem o devido processo legal. Para ele, basta sua palavra — a Constituição que se dane!

O ápice de sua escalada autoritária veio durante o processo eleitoral de 2022. Quem não se lembra do seu “protagonismo”? Com decisões monocráticas, censurou parlamentares, veículos de comunicação e até humoristas. Tudo isso, claro, sob a justificativa de “proteger a democracia”. Ocorre que democracia sem liberdade de expressão não é democracia — é um regime de medo, onde qualquer um que ouse questionar as verdades de Alexandre, o Pequeno, pode ser silenciado.

Mas talvez o mais chocante seja a passividade das demais instituições diante desse abuso de poder. O Senado, que deveria fiscalizar o Judiciário, não consegue maioria para frear o fulano pequeno em caráter, moral e justiça. A Câmara, que representa o povo, na sua maior parte da composição assiste calada. Até os seus pares do STF (“guardiões da justiça e da moral”) se seguram na falsa grandeza de Alexandre, o Pequeno. E o fulano, cada vez mais convencido de sua própria grandiosidade, continua avançando sobre direitos e garantias fundamentais sem encontrar resistência à altura.

Alexandre, o Grande morreu jovem, cercado por intrigas, traições e pela insatisfação de seu próprio povo. Seu império desmoronou logo depois. A história já viu muitas figuras que se consideravam grandes e inquestionáveis. Todas caíram. O fim da era de Alexandre, o Pequeno, me pergunto qual será? Porque a liberdade, essa sim verdadeiramente grande, sempre encontra um caminho para prevalecer.