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Fabrício Montenegro

A Copa do Mundo mais inclusiva de todos os tempos. Segundo a Fifa

Confira o artigo de Fabrício Montenegro desta quinta-feira 23
Fabrício Montenegro
23/04/2026 | 05:02

Em 2026, a maior festa do futebol mundial será ainda maior. Com sede nos Estados Unidos, México e Canadá, a Copa do Mundo vai abraçar 48 seleções pela primeira vez na história, 16 a mais que o formato anterior.

A ideia de Gianni Infantino de ampliar a competição se tornou realidade. Com bastante orgulho, o presidente da Fifa enche a boca para declarar este Mundial como o “mais inclusivo de todos os tempos”. Isso porque nunca antes o torneio recebeu tantas equipes.

CBF estuda possibilidade da criação de uma série E - Foto: José Aldenir/Agora RN
A Copa do Mundo mais inclusiva de todos os tempos. Segundo a Fifa - Foto: José Aldenir/Agora RN

Por outro lado, a competição, um clássico símbolo de união e respeito entre os povos, deixa de lado parte da união. Desde 2025, cidadãos de 19 países têm proibição total para visitar os Estados Unidos, o principal anfitrião da Copa mais inclusiva da história. E talvez o respeito fica um pouco de lado, pois o próprio presidente do país classificou os imigrantes da Somália como “lixos”.

A terra do Tio Sam vai receber a grande maioria dos jogos. Isso ajuda a entender a aproximação entre Infantino e Trump, que rendeu até o inédito Prêmio da Paz da Fifa para o presidente. Criado e entregue em 2025, talvez tenha servido como consolo a quem sonhava com o Nobel da Paz. Como diria o saudoso Raul, “quem não tem filé, come pão e osso duro”.

O troféu nem demorou para virar contradição. Meses depois, o pacifista da Fifa, não muito inspirado pelo “estimado” prêmio, iniciou uma guerra contra o Irã — participante do Mundial mais inclusivo de todos os tempos. Vale lembrar que a Rússia foi banida da federação após invadir a Ucrânia em 2022. Então por que o pau que bate em Vladimir, não bate em Donald?

Em paralelo à intensificação das políticas imigratórias, os Estados Unidos encaram uma queda no turismo internacional. O setor hoteleiro tem expectativa de lotação abaixo da promessa da Fifa, segundo a Forbes. Por isso, as denúncias de abuso do ICE, incluindo a morte de dois cidadãos, levaram a entidade a cogitar pedir a Trump uma diminuição das ações da polícia de imigração durante o Mundial mais inclusivo de todos os tempos.

No bolso, a Copa mais inclusiva da história também não é para todo mundo. Apesar de uma pequena categoria acessível, criada pelas críticas, os ingressos podem chegar a cerca de 46 mil reais.

Infantino faz malabarismo para sustentar a “Copa mais inclusiva”, alinhado a um líder em dúvida se é presidente, imperador, papa ou Jesus. Apesar de tudo, a Copa segue sendo um dos poucos eventos capazes de unir tantas culturas. Como disse um ex-dirigente da Fifa, “enquanto uma bola rolar no mundo, o mundo terá uma chance de paz”. O autor é João Havelange, que deixou a entidade por escândalos de corrupção.

Fabrício Montenegro é jornalista, narrador esportivo pelo Universidade do Esporte e criador do canal Papo-Jerimum no Instagram