A dona de um hotel para pets em Bonito, Mato Grosso do Sul, foi filmada atingindo várias vezes Ravi, um pastor-australiano de pouco mais de 1 ano que estava hospedado no estabelecimento. As imagens foram divulgadas pelo tutor do animal e o caso foi encaminhado ao Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS). A publicação sobre o episódio já ultrapassou 1 milhão de visualizações.
A proprietária do estabelecimento, Ana Carla, afirma que atingiu Ravi ao tentar separá-lo de outro cachorro, um yorkshire chamado Kowalski, que morreu durante o episódio. Após o caso ganhar repercussão, ela publicou um vídeo nas redes sociais, disse que agiu no desespero para salvar o outro animal e negou a intenção de cometer maus-tratos.

Neste domingo 4, Vincent Lacerda, tutor de Ravi, contestou a versão apresentada pela proprietária. Ele afirmou que o cachorro nunca havia apresentado comportamento agressivo e questionou as circunstâncias da morte de Kowalski. Segundo Vincent, ele também não foi comunicado pelo estabelecimento sobre o ocorrido.
Caso foi encaminhado ao MP
Segundo a Polícia Civil, a ocorrência foi registrada na Delegacia de Bonito na sexta-feira (3), após a Polícia Militar Ambiental receber denúncias e um vídeo em que uma mulher aparece agredindo um cachorro dentro de um estabelecimento de hospedagem de animais. O caso foi inicialmente registrado como maus-tratos.
A mulher que aparece nas imagens foi identificada e levada à delegacia para prestar esclarecimentos. Ela relatou aos policiais que tentava separar uma briga entre Ravi e Kowalski e que o cachorro de menor porte morreu durante o episódio.
Após analisar as imagens e as circunstâncias do caso, o delegado responsável entendeu que a mulher agiu para separar os animais e evitar que o yorkshire continuasse sendo atacado. Conforme a Polícia Civil, naquele momento não foram identificados elementos que configurassem o crime de maus-tratos.
Por isso, ela não foi presa. O delegado registrou o entendimento em um despacho e encaminhou o caso ao Ministério Público, que poderá analisar os elementos apresentados e tomar as medidas cabíveis.
Tutor diz que soube do caso pelo vídeo
Vincent contou que se mudou para Niterói (RJ) há menos de um mês e deixou Ravi no hotel enquanto organizava os documentos e a viagem para levar o cachorro. Segundo ele, o animal frequentava o estabelecimento desde os três meses de idade.
O tutor afirma que, durante esse período, nunca recebeu relatos de comportamento agressivo de Ravi. Segundo Vincent, o cachorro também é acompanhado por profissionais desde filhote e passou por adestramento.
Ele disse que só tomou conhecimento do episódio depois de receber o vídeo de pessoas que sabiam que Ravi estava hospedado no local.
Ao reconhecer o cachorro nas imagens, Vincent pediu que uma pessoa de confiança fosse buscá-lo e o levasse para atendimento veterinário. Segundo o tutor, Ravi estava assustado e apresentava um comportamento diferente do habitual.
Em uma nova publicação neste domingo, Vincent também afirmou que Ravi estava com fome, sede e sujo quando deixou o hotel. Segundo ele, o cachorro foi medicado e passa bem.
Tutor questiona versão sobre morte de outro cão
No vídeo publicado neste domingo, Vincent contestou pontos do relato apresentado pela proprietária.
Ana Carla afirma que estava em uma festividade no centro da cidade quando recebeu uma ligação da filha, que estava no hotel, informando que Ravi havia pegado Kowalski e não o soltava.
A proprietária também disse que não conseguiu fazer Ravi obedecer porque o cachorro só responderia a comandos em alemão.
Vincent questionou a afirmação porque, segundo ele, Ravi frequentava a creche do próprio estabelecimento desde os três meses de idade e a proprietária conhecia o cachorro e os comandos utilizados com ele.
O tutor também questionou as circunstâncias da morte de Kowalski. Segundo Vincent, Ravi não tinha marcas de sangue quando foi retirado do hotel. Ele também citou imagens feitas após o episódio nas quais o cachorro aparece próximo ao outro animal.
“Como que é possível um cachorro agredir outro e chegar em tal fatalidade sem nada? Os horários não batem, o relato do outro lado tá cheio de brecha”, disse.
Vincent também questionou a estrutura do estabelecimento para lidar com emergências envolvendo os animais hospedados.
“Hotel é pago, o mínimo que a gente espera é segurança”, afirmou.
O tutor disse que espera que a investigação esclareça o que aconteceu e afirmou que seguirá acompanhando o caso.
“O Ravi teve sorte. O que a gente sabe são esses fatos que eu trouxe aqui. E eu vou até o fim para saber o que aconteceu.”
Segundo Vincent, Ravi deve ser levado para Niterói nesta semana.
O que diz a dona do hotel
Após o caso ser divulgado pelo tutor e ganhar repercussão nas redes sociais, Ana Carla, proprietária do Hotelzinho Peludos Resort, publicou um vídeo para apresentar a versão dela sobre o episódio.
Ela afirmou que estava em uma festividade no centro de Bonito quando recebeu uma ligação da filha, que acompanhava os animais no hotel.
“Olá a todos, bom dia. Meu nome é Ana Carla, eu sou proprietária do Hotelzinho Peludos Resort. Eu vim me manifestar em relação ao vídeo que tá correndo nas redes sociais, aonde as pessoas relatam e atacam como mau trato o ocorrido de ontem.
Eu tava numa festividade no centro da cidade, que a minha filha tava acompanhando os pets aqui no hotelzinho, e ela me ligou imediatamente, falou: ‘Mãe, corre que o Ravi pegou o Kowalski, porque ele não tá soltando.’ Eu vim imediatamente para cá. Diante de toda a situação, no ato de desespero, eu acabei dando uns tapa no Ravi, sim, no dorso, mas não foi intenção nenhuma de mau trato ou de ódio gratuito.
Era na intenção mesmo de salvar o Kowalski, porque ele não tava soltando. O Ravi, ele é um cachorro que ele só aceita os comandos em alemão, e eu não consegui fazer ele soltar, eu não consegui. E o Kowalski veio a óbito. Não teve o que eu fazer, eu tentei de todas as formas reanimar ele e tentei, sabe? Não, não, não consegui, não consegui.
E eu quero me colocar à disposição de quem tiver alguma dúvida, por favor, entre em contato, não fica disseminando ódio gratuito. Tenha conhecimento dos fatos, do que realmente aconteceu. Eu já fui na delegacia, já prestei esse depoimento, a minha filha vai na segunda-feira prestar depoimento. Foi disponibilizado as filmagens, passei tudo pro delegado, ele já me ouviu.
E eu peço desculpa e tô à disposição, tô à disposição da polícia, tô à disposição de qualquer pessoa que quiser saber a verdade.”