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Eleições 2026

PF vai apurar possível interferência dos EUA na eleição, afirma diretor Andrei Rodrigues

Diretor-geral afirma que investigação preliminar começou após representação da AGU sobre projeto de financiamento a grupos que contestam a atuação do STF
Agora RN
04/10/2026 | 13:34

O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, informou neste domingo 4 que a corporação abriu uma apuração preliminar sobre uma possível interferência dos Estados Unidos nas eleições brasileiras.

O procedimento foi iniciado após uma representação da Advocacia-Geral da União (AGU), motivada por uma reportagem do jornal britânico The Guardian sobre um projeto norte-americano que previa cerca de R$ 5 milhões para organizações que se opõem ao que consideram abusos do poder judicial e censura do Supremo Tribunal Federal (STF).

ANDREI Foto: Andressa Anholete/Agência Senado
Diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues - Foto: Andressa Anholete / Senado

Segundo Andrei, o caso foi encaminhado à Diretoria de Inteligência da PF. Ainda não houve instauração formal de inquérito, mas a investigação já está em andamento. Ele tratou do assunto em entrevista no Centro Integrado de Comando e Controle Nacional (CICCN), instalado na sede da Polícia Rodoviária Federal (PRF).

“Recebemos uma representação da AGU sugerindo apuração de interferência externa. Foi encaminhado para a Diretoria de Inteligência para dar início à apuração. É uma investigação em andamento, um procedimento prévio. Não foi publicada a portaria do inquérito, mas já temos uma investigação em curso”, afirmou.

Intitulado “Combate à Litigância Deliberativa e à Censura no Brasil”, o projeto divulgado pelo Guardian integra um pacote de US$ 175 milhões, equivalente a cerca de R$ 918 milhões, do principal fundo de direitos humanos do Departamento de Estado dos Estados Unidos. De acordo com o jornal, os recursos seriam distribuídos entre iniciativas no Brasil e em outros países.

A reportagem também apontou a previsão de US$ 40 milhões para um fundo anticomunista, apoio a um grupo voltado aos direitos dos sul-africanos brancos e programas de recompensas que contemplariam aliados ideológicos dos Estados Unidos na Europa. No caso brasileiro, o financiamento seria destinado a organizações contrárias ao que classificam como “abuso de poder judicial e censura” por parte do STF.

A iniciativa ocorre em meio à preocupação do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com uma possível tentativa de interferência de Washington no processo eleitoral brasileiro. Em entrevista à jornalista Christiane Amanpour, da CNN, Lula disse estar “muito preocupado” com a atuação do secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, embora tenha ressaltado que se tratava de suspeita.

“Já há indícios de interferência de inteligência artificial; eu estou muito preocupado com o Marco Rubio, porque o Marco Rubio é muito ligado ao pessoal do bolsonarismo, mas, por enquanto, é só suspeita”, declarou o presidente.

Relação estremecida

As relações entre o governo norte-americano e o Supremo já haviam sido marcadas pela imposição de sanções ao ministro Alexandre de Moraes, em julho de 2025, com base na Lei Magnitsky. A medida foi adotada como punição por sua atuação na supervisão do julgamento que levou à condenação e à prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) por tentativa de golpe após a derrota na disputa pela reeleição, em 2022. As sanções foram posteriormente revogadas pelos Estados Unidos, em dezembro.

Na entrevista deste domingo, Andrei também afastou a existência de um plano de ataque contra as embaixadas dos Estados Unidos e da Austrália em Brasília. As duas representações suspenderam atendimentos consulares às vésperas das eleições como medida de segurança diante de uma suposta ameaça terrorista. Segundo o diretor-geral da PF, “não há risco efetivo ou elemento concreto” que sustente a ameaça.