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Educação

Pesquisa brasileira propõe IA para escolas com baixa conectividade

Estudo apresentado à UNESCO desenvolve soluções de inteligência artificial pensadas para contextos educacionais com limitações de internet e equipamentos
Agora RN
03/10/2026 | 17:47

Pesquisadores brasileiros estão desenvolvendo uma abordagem de inteligência artificial voltada a escolas e redes de ensino que convivem com limitações de conectividade, infraestrutura e acesso a equipamentos. Chamada de IA Desplugada, a proposta busca ampliar as possibilidades de uso da tecnologia na educação sem depender de conexão contínua à internet ou de um dispositivo por estudante.

A iniciativa é desenvolvida pela Cátedra UNESCO/UNITWIN em IA Desplugada na Educação e pelo Instituto IA.Edu e ganhou projeção internacional após ser apresentada, em setembro, durante a Semana da Aprendizagem Digital 2026, realizada pela UNESCO, em Paris.

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Pesquisa brasileira propõe IA para escolas com baixa conectividade - Foto: Divulgação/IA.Edu

O estudo “IA Desplugada na Educação: Práticas, Desafios e Caminhos a Seguir no Sul Global” discute como soluções de inteligência artificial podem ser projetadas considerando desde o início as condições reais de escolas localizadas em regiões com menor disponibilidade de infraestrutura tecnológica.

A proposta parte de um desafio presente em diferentes países do Sul Global: enquanto ferramentas de inteligência artificial avançam rapidamente, parte das escolas ainda enfrenta dificuldades de acesso à internet, equipamentos e suporte técnico para incorporar essas tecnologias às práticas pedagógicas.

Nesse contexto, a IA Desplugada estabelece cinco princípios para o desenvolvimento de tecnologias educacionais: adequação à infraestrutura disponível; funcionamento sem necessidade de internet contínua; mediação ativa dos professores; possibilidade de compartilhamento de equipamentos; e baixa complexidade técnica para estudantes e educadores.

Na prática, a abordagem já vem sendo utilizada no desenvolvimento de tutores inteligentes de matemática com processamento offline e de plataformas de apoio à produção textual mediadas por professores. Segundo o Instituto IA.Edu, as soluções vinculadas ao ecossistema já alcançam mais de 100 mil estudantes da rede pública.

Para a pesquisadora e diretora de operações do Instituto IA.Edu, Marcela Lorenzoni R. Rabin, a ampliação do uso da inteligência artificial na educação precisa considerar as desigualdades existentes entre países e redes de ensino.

“Quando analisamos os dados globais sobre desigualdade digital, percebemos diferenças profundas de acesso e de desenvolvimento de competências. A ideia da Inteligência Artificial Desplugada é considerar as restrições de recursos desde a concepção das tecnologias, e não apenas como uma adaptação posterior”, afirma.

Debate internacional

A pesquisa brasileira foi apresentada durante a Semana da Aprendizagem Digital 2026, promovida pela UNESCO entre 8 e 11 de setembro, em Paris.

Além de Marcela Lorenzoni, participaram das atividades representantes da Cátedra e do Instituto IA.Edu, entre eles Ig Ibert Bittencourt, titular da Cátedra UNESCO, e Thomaz Veloso, diretor-presidente do Instituto IA.Edu.

O grupo também reúne pesquisadores como Seiji Isotani, professor da Universidade de São Paulo (USP) e pesquisador visitante na Universidade de Harvard, além de Rafael Ferreira Mello e César Collazos.

Durante o encontro, os pesquisadores participaram de discussões sobre governança da inteligência artificial, cooperação internacional, desenvolvimento de referenciais para tecnologias educacionais e estratégias para ampliar o acesso à IA em diferentes realidades sociais e econômicas.

Para Seiji Isotani, experiências desenvolvidas em países do Sul Global podem contribuir para ampliar a diversidade de soluções no campo da inteligência artificial aplicada à educação, especialmente ao considerar contextos que não possuem infraestrutura tecnológica abundante.

Rafael Ferreira Mello destaca que o avanço da inteligência artificial na educação depende não apenas do desenvolvimento de modelos cada vez mais sofisticados, mas também da capacidade de fazer com que essas tecnologias cheguem às escolas e apoiem professores e gestores em suas decisões pedagógicas.

A proposta da IA Desplugada, segundo os pesquisadores, é justamente ampliar esse debate: em vez de adaptar posteriormente tecnologias criadas para ambientes com alta conectividade, desenvolver soluções concebidas desde o início para funcionar em diferentes condições de infraestrutura.

Mais informações sobre as pesquisas e projetos estão disponíveis em iaedu.org.br e unesco.nees.ufal.br.