BUSCAR
BUSCAR
Investigação

Influenciador relata à PF proposta para defender Vorcaro nas redes

Investigação aponta atuação de influenciadores, pico de ataques ao Banco Central e tentativa de pressionar o TCU
Por O Correio de Hoje
17/03/2026 | 15:51

A Polícia Federal investiga uma ofensiva coordenada nas redes sociais em defesa do Banco Master e do empresário Daniel Vorcaro. Segundo o jornal O Estado de S. Paulo, ao menos um influenciador — o vereador Rony Gabriel (PL), de Erechim (RS) — confirmou ter recebido proposta para produzir conteúdos favoráveis ao banco e ataques a adversários.

O inquérito apura uma onda de publicações contra o Banco Central após a liquidação do Master, com pico em 27 de dezembro, quando foram registrados mais de 4,5 mil posts. Os ataques miravam, sobretudo, o ex-diretor do BC Renato Dias Gomes, que vetou a venda da instituição ao BRB.

capa portal (3)
Influenciador Rony Gabriel (PL), vereador no município de Erechim, no Rio Grande do Sul - Foto: Reprodução

A PF identificou que os contatos com influenciadores partiram de empresas ligadas a Thiago Miranda, da Mithi, e de André Salvador, da UNLTD. Miranda afirmou que prestava serviços de gestão de reputação, prática que classificou como comum no mercado. Já Salvador e a defesa de Vorcaro não se manifestaram.

O jornalista Léo Dias, que teve negócios administrados por Miranda, disse que o empersário deixou funções de gestão em junho de 2025 e que a agência tem operação separada das atividades jornalísticas dele. Na nota enviada nesta segunda-feira, porém, Miranda afirma que ainda continua sócio do Grupo Leo Dias.

Rony Gabriel disse que foi procurado para atuar em “gestão de crise”, mas desistiu ao saber, em reunião virtual, que o trabalho envolvia o caso Banco Master. Ele foi o primeiro a denunciar publicamente a abordagem.

“Foi realizado através do Google Meet. É nesse momento, nessa reunião do Google Meet, aí sim ele deixa claro do que se trata. ‘A gente é uma empresa de gestão de crise. A gente foi contratado por um executivo grande’, como ele já tinha escrito também por WhatsApp. E que se tratava do senhor Daniel Vorcaro, do caso Banco Master”, afirmou Rony à PF em transcrição obtida pelo Estadão.

As investigações indicam que a estratégia também incluía a cooptação de sites jornalísticos por meio de contratos de patrocínio. Para a PF, a mobilização digital buscava influenciar a opinião pública e pressionar o Tribunal de Contas da União (TCU) a rever a liquidação do banco.

Segundo os investigadores, o esquema reforça a continuidade de práticas ilícitas atribuídas a Vorcaro, mesmo após sua soltura em novembro. A atuação com influenciadores foi um dos elementos que embasaram sua nova prisão preventiva, decretada em 4 de março.