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Discordaram
Evangélicos se opõem à indicação de Renato Feder para o MEC
Após telefonema de Bolsonaro para cotado na quinta, Malafaia mandou mensagem ao presidente
OGlobo
04/07/2020 | 05:53

O convite do presidente Jair Bolsonaro a Renato Feder para ser ministro da Educação provocou reação negativa em vários núcleos do governo. A maior pressão vem dos evangélicos, que desde a manhã trabalham para reverter a indicação. O grupo defende alguém com perfil ideológico semelhante ao de Bolsonaro e rejeita Feder, secretário estadual de Educação do Paraná, por sua ligação anterior com o governador João Doria (PSDB-SP) e a proximidade com o grupo Lemann, que já discutiu parcerias com a secretaria do Paraná. Feder é judeu, assim como o secretário especial de comunicação do governo, Fabio Wajngarten, e teria apoio também da comunidade israelita.

Na noite de quinta-feira, Bolsonaro ligou para Feder para conversar sobre a eventual ida dele para o governo. À noite, quando o pastor Silas Malafaia soube que Feder podia ser o escolhido, mandou uma mensagem ao presidente, cobrando que ele nomeie para o MEC um gestor com “o mesmo viés que ele acredita”.

Na manhã desta sexta-feira, quando o nome de Feder foi confirmado por integrantes do Planalto e divulgado pela imprensa, Bolsonaro escreveu a Malafaia que estavam escolhendo por ele, dizendo que a decisão ainda não havia sido tomada. Malafaia já havia manifestado sua opinião sobre a sucessão do MEC anteriormente. Em meio à polêmica das informações falsas contidas no currículo de Carlos Decotelli, o pastor enviou uma mensagem a Bolsonaro se posicionando contra a permanência de Decotelli no cargo.

— Eu respondi a ele (Bolsonaro), hoje de manhã, com um “ok” e mandei um provérbio do texto de Salomão que diz “Onde não há conselho os projetos saem em vão. Na multidão de conselheiros eles se confirmarão”. Ou seja, um líder que não ouve conselhos pode ter seus projetos em vão. Eu sou pastor, uso a Bíblia para dar conselho — disse Malafaia, explicando o questionamento inicial que fez a Bolsonaro:

— Eu espero que ele coloque (no MEC) alguém que tenha o viés que ele acredita, ele não ganhou para fazer graça para quem quer que seja, a esquerda, Centrão nem ninguém. Espero que o presidente coloque alguém com um perfil que defenda sua ideologia, que tenha competência, formação. Não pode ser alguém de que se tenha dúvida. Estou vendo (na mídia) um cara que é apoiador de Dória, de Lemann, que não tem nada a ver com o presidente, queria entender se um cara desse vai ser ministro. É minha opinião pessoal.

Uma parte do grupo militar no governo com interface com os evangélicos tenta emplacar Anderson Correia, ex-presidente da Capes e atual reitor do ITA, para o cargo. Correia, que também é evangélico, é apoiado pelo grupo de militares que trabalhou desde o período de transição para o governo Bolsonaro, tendo o ministro Augusto Heleno como principal fiador. Esse mesmo núcleo foi responsável pela indicação de Carlos Alberto Decotelli para o MEC. Decotelli acabou pedindo demissão antes de tomar posse por conta de informações incorretas em seu currículo.

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