A operação nos complexos do Alemão e da Penha, no Rio de Janeiro, teve como alvo o cumprimento de 100 mandados de prisão e 180 de busca e apreensão e faz parte das ações das forças de segurança contra o Comando Vermelho (CV).
O confronto resultou em 121 mortes, sendo 117 suspeitos e 4 policiais, 113 presos, dos quais 33 são de outros estados como Amazonas, Bahia, Ceará, Pará e Pernambuco, além de 10 menores infratores apreendidos, 118 armas apreendidas — incluindo 91 fuzis, 26 pistolas e 1 revólver — e mais de 1 tonelada de drogas recolhida.

A facção surgiu na prisão da Ilha Grande entre as décadas de 1970 e 1980, inicialmente chamada de Falange Vermelha. A Ilha Grande, localizada a mais de 100 quilômetros do Rio de Janeiro, foi usada desde o período imperial como local de isolamento, primeiro de pessoas doentes de cólera e febre tifoide, depois de presos políticos e criminosos comuns.
O presídio Cândido Mendes, criado em 1963, passou a receber presos políticos e guerrilheiros após a ditadura militar de 1964, isolados do restante da população carcerária. Nos anos 1970, criminosos comuns começaram a chegar à ilha junto aos detentos políticos.
Em 1971, o preso William da Silva Lima, conhecido como Professor, ajudou a organizar detentos políticos e comuns em uma unidade chamada Falange da LSN, depois rebatizada como Falange Vermelha e, em seguida, Comando Vermelho. Relatórios do presídio indicam que a Falange Vermelha passou a comandar o crime organizado dentro do sistema penitenciário do Rio após 1979, impondo sua influência sobre outras facções.
Em 1980, a fuga de presos, incluindo José Jorge Saldanha, conhecido como Zé Bigode, marcou o início da atuação da quadrilha fora da ilha, consolidando o grupo no continente.
Outros membros famosos da facção incluem José Carlos dos Reis Encina, o Escadinha, que fugiu de helicóptero da Ilha Grande em 1985. O presídio foi desativado em 1994 e implodido, restando apenas cubículos e parte da fachada.
A operação desta semana é mais um capítulo da disputa entre o estado e o Comando Vermelho pelo controle de territórios nas favelas do Rio de Janeiro.