Teve início, nesta segunda-feira 13, o julgamento da maior chacina já registrada no Distrito Federal. Cinco acusados respondem perante o Tribunal do Júri pelo assassinato de dez pessoas da mesma família, entre elas três crianças, em uma sequência de crimes planejados entre o fim de 2022 e o início de 2023. De acordo com o Ministério Público, as penas podem variar de 211 a 385 anos de prisão em caso de condenação.
A previsão é que as sessões se estendam até sexta-feira, diante da complexidade do caso, do volume de provas e da oitiva de 23 testemunhas, incluindo policiais responsáveis pelas investigações.

Sentam no banco dos réus Gideon Batista de Menezes, Horácio Carlos Ferreira Barbosa, Carlomam dos Santos Nogueira, Fabrício Silva Canhedo e Carlos Henrique Alves da Silva. Eles respondem por mais de uma centena de infrações penais, entre elas homicídio qualificado, extorsão, roubo, sequestro, constrangimento ilegal, fraude processual, corrupção de menores e ocultação de cadáver.
As investigações da Polícia Civil apontam que o crime foi motivado pela disputa pela posse da Chácara Quilombo, uma propriedade de 5,2 hectares avaliada em cerca de R$ 2 milhões, localizada na região do Paranoá. Segundo a apuração, os suspeitos acreditavam que, ao eliminar os herdeiros, poderiam assumir o imóvel e revendê-lo.
A denúncia do Ministério Público descreve uma série de crimes articulados. O plano teria começado com o assassinato de Marcos Antônio Lopes de Oliveira, então possuidor da chácara, e o sequestro de seus familiares com o objetivo de obter dinheiro e garantir o controle da propriedade.
A ação teve início em 27 de dezembro de 2022, quando Marcos, sua esposa Renata Juliene Belchior e a filha Gabriela foram rendidos em casa. O grupo roubou cerca de R$ 50 mil e levou as vítimas para um cativeiro em Planaltina. Marcos foi assassinado e enterrado no local.
Sob ameaças, Renata e Gabriela tiveram celulares e contas bancárias acessados pelos criminosos, que passaram a se passar por elas para atrair outros parentes para emboscadas. Cláudia Regina Marques de Oliveira e Ana Beatriz Marques de Oliveira, ex-mulher e filha de Marcos, foram sequestradas dias depois.
Na sequência, os acusados decidiram eliminar Thiago Belchior, filho de Marcos, bem como sua esposa, a cabeleireira Elizamar Silva, e os três filhos do casal. Para os investigadores, a execução das crianças fez parte da estratégia de impedir qualquer sucessão familiar relacionada ao imóvel.
Elizamar e os filhos foram atraídos à chácara, sequestrados e levados a Cristalina (GO), onde foram estrangulados. Em seguida, os corpos foram incendiados dentro do carro da vítima. Dias depois, Renata e Gabriela também foram assassinadas e tiveram os corpos queimados em Unaí (MG). Por fim, Cláudia, Ana Beatriz e Thiago foram mortos a facadas e ocultados em uma cisterna próxima ao cativeiro. Objetos das vítimas foram destruídos para dificultar as investigações.
Quem foram as vítimas
- Elizamar Silva, 39 anos – cabeleireira;
- Thiago Gabriel Belchior, 30 anos – marido de Elizamar;
- Rafael da Silva, 6 anos – filho de Elizamar e Thiago;
- Rafaela da Silva, 6 anos – filha de Elizamar e Thiago;
- Gabriel da Silva, 7 anos – filho de Elizamar e Thiago;
- Renata Juliene Belchior, 52 anos – mãe de Thiago e sogra de Elizamar;
- Marcos Antônio Lopes de Oliveira, 54 anos – pai de Thiago e sogro de Elizamar;
- Gabriela Belchior, 25 anos – irmã de Thiago e cunhada de Elizamar;
- Cláudia Regina Marques de Oliveira, 54 anos – ex-mulher de Marcos Antônio;
- Ana Beatriz Marques de Oliveira, 19 anos – filha de Cláudia e Marcos Antônio.