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Orçamento

PF pede mais R$ 200 milhões de orçamento para reforçar segurança de candidatos à Presidência

Plano da corporação cita ambiente polarizado e prevê tentativas de ‘desmoralização’ planejadas por adversários
O Correio de Hoje
03/03/2026 | 15:40

A Polícia Federal trabalha com a perspectiva de ampliar significativamente o esquema de proteção aos candidatos à Presidência da República nas eleições de 2026. Para isso, solicitou um acréscimo de aproximadamente R$ 200 milhões no Orçamento, valor que inclui a aquisição de sistema antidrone, tecnologia de reconhecimento facial e a mobilização de 458 agentes. As informações são do jornal Folha de S. Paulo.

No planejamento inicial, a corporação estima que até dez postulantes ao Planalto demandem segurança dedicada. O desenho prevê 48 policiais responsáveis por candidatos considerados mais vulneráveis e outros 24 destinados àqueles classificados com menor grau de risco. O plano poderá sofrer ajustes caso o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) confirme candidatura à reeleição.

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Diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues - Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom / Agência Brasil

A proposta foi apresentada ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ao Palácio do Planalto e à equipe econômica. No documento, o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, sustenta que a ampliação da estrutura é uma resposta ao “conturbado momento pelo qual passamos”.

Rodrigues menciona que o cenário internacional é marcado por conflitos armados e disputas comerciais, enquanto, internamente, o Brasil enfrenta questionamentos sobre a atuação das instituições em um ambiente político classificado como “extremamente polarizado”. Para ele, o contexto exige planejamento detalhado e execução rigorosa das medidas de segurança, sem incertezas orçamentárias ou atrasos na liberação de recursos.

Entre os 458 servidores previstos, 30 delegados atuarão como chefes ou substitutos das equipes responsáveis pela proteção dos candidatos. Outros 60 policiais devem integrar ações de inteligência, enquanto até 316 agentes exercerão a função de “operadores de proteção”.

Nas eleições de 2022, a PF informou que mobilizaria entre 300 e 400 agentes, com custo estimado em R$ 57 milhões. Questionada sobre eventual atualização desses números ao longo da campanha e sobre diferenças em relação ao plano atual, a corporação não comentou.

Além do reforço humano, a PF pretende ampliar ou estruturar áreas reservadas para autoridades em aeroportos. O aumento do fundo eleitoral, segundo a instituição, tende a intensificar os deslocamentos das campanhas, elevando a necessidade de despesas com diárias e passagens para as equipes de segurança.

Outro ponto destacado é a mudança institucional no ciclo eleitoral. A PF passou a atuar diretamente na proteção do presidente da República — função que antes era desempenhada apenas pelo Gabinete de Segurança Institucional (GSI). Como o chefe do Executivo pode concorrer à reeleição, o plano prevê estrutura exclusiva para a sua segurança.

A corporação também considera o histórico de violência contra presidenciáveis e eventuais hostilidades planejadas por adversários, como arremesso de objetos, bloqueios de carreatas ou ações destinadas à “desmoralização” pública dos candidatos.

Dos cerca de R$ 200 milhões pleiteados, R$ 92 milhões estão reservados à aquisição de 256 veículos, entre blindados e descaracterizados. Outros R$ 39,5 milhões seriam destinados a equipamentos antidrone do tipo EnforceAir, capazes de detectar e controlar aeronaves não tripuladas por radiofrequência, além de bloqueadores portáteis.

Aproximadamente R$ 50 milhões cobrirão gastos com diárias, passagens e suprimentos. O pacote de compras inclui ainda coletes balísticos velados, binóculos com câmera e sistemas de reconhecimento facial, entre outros itens.

A estratégia detalha níveis de risco durante a campanha e as respectivas respostas operacionais — desde ocorrências de “baixo impacto”, como manifestações ruidosas, até situações classificadas como graves, incluindo ameaças de bomba, agressões, tentativa de assassinato ou “colapso estrutural”. As reações variam de isolamento imediato da área e acionamento de esquadrões antibomba a medidas contra ameaças cibernéticas.

Combate ao crime organizado nas eleições

A possibilidade de organizações criminosas influenciarem o processo eleitoral deste ano também passou a integrar as prioridades da PF. A corporação estruturou um plano específico, já encaminhado ao TSE, com o objetivo de impedir que integrantes ou aliados desses grupos disputem cargos públicos como forma de ampliar acesso a recursos estatais e à máquina administrativa.

Segundo Andrei Rodrigues, a atuação policial abrangerá também a prevenção de candidaturas ligadas ao crime organizado. A declaração foi feita na segunda-feira 2, durante o evento “Rumos 2026”, promovido pelo jornal Valor Econômico, em São Paulo, que reuniu empresários, executivos e representantes de órgãos públicos para discutir perspectivas para o ano.

Rodrigues informou que o plano foi formalmente encaminhado em janeiro. Ele destacou que as ações realizadas nas eleições municipais de 2024 serviram como base para o planejamento atual. Naquele pleito, mais de R$ 30 milhões em espécie foram apreendidos sob suspeita de abastecer irregularmente campanhas eleitorais. As investigações decorrentes resultaram em mais de 90 operações deflagradas em 2025 relacionadas ao processo eleitoral.

Embora a preocupação com candidaturas financiadas ou apoiadas por facções seja um desafio mais visível neste momento, Rodrigues ponderou que a presença dessas organizações em setores da economia já é um fenômeno consolidado. Operações recentes envolvendo Ministério Público, Receita Federal e PF miraram a circulação de recursos ilícitos no mercado financeiro e no setor de combustíveis, entre outros segmentos.

No painel do Valor, o delegado afirmou também que o perfil das organizações criminosas vem mudando. Segundo ele, não se trata apenas de grupos armados atuando em comunidades, mas também de estruturas sofisticadas de “colarinho branco”.