BUSCAR
BUSCAR
Investigação

MPRN investiga caso de apologia ao nazismo em formatura de Medicina em Mossoró

Jovem vestiu uniforme do Exército Alemão da Segunda Guerra e fez saudação nazista durante evento realizado no sábado 10
Redação
13/01/2026 | 07:12

O Ministério Público do Rio Grande do Norte (MPRN) instaurou procedimento extrajudicial para apurar um episódio ocorrido durante uma festa de formatura realizada no sábado 10, em Mossoró, segundo o jornal O POVO. Um adolescente compareceu ao evento vestindo trajes do Exército Alemão da Segunda Guerra Mundial, durante o período da Alemanha de Adolf Hitler, e realizou gestos nazistas. A Polícia Civil do Rio Grande do Norte também confirmou que investiga o caso.

Imagens que circulam nas redes sociais mostram o jovem fazendo a saudação nazista, conhecida como “Heil Hitler”, gesto associado ao Partido Nazista e utilizado como símbolo de lealdade e culto à personalidade de Adolf Hitler. O convidado usava uniforme da Wehrmacht, as Forças Armadas da Alemanha no período da Segunda Guerra Mundial.

MODELO FOTO PORTAL 2026 01 13T070551.116
Imagens que circulam nas redes sociais mostram adolescente fazendo saudação nazista durante festa de formatura em Mossoró - Foto: reprodução

O procedimento do MPRN tem como objetivo reunir informações preliminares sobre os fatos e identificar os envolvidos. A Promotoria de Justiça analisará as provas anexadas aos autos para definir as medidas legais e as diligências necessárias à apuração do caso. Após as providências determinadas pelo MPRN, será avaliada a eventual responsabilização do suposto adolescente e/ou de seus responsáveis.

O Ministério Público do Rio Grande do Norte informou que recebeu diversas representações por meio de sua plataforma oficial de denúncias, que foram reunidas em um único procedimento para concentrar a investigação. Por se tratar de apuração envolvendo possível adolescente autor de ato infracional, o caso tramita em segredo de justiça.

O MPRN alertou ainda que é vedada a divulgação de imagens, vídeos ou do nome do adolescente, conforme previsto no Estatuto da Criança e do Adolescente. O descumprimento pode configurar infração administrativa e resultar em penalidades legais, nos termos do artigo 143 do ECA. O órgão afirmou que atua em conformidade com a legislação e com a proteção integral dos direitos de crianças e adolescentes.

Entenda o caso

A festa celebrou a formatura de uma turma de Medicina da Faculdade de Enfermagem Nova Esperança de Mossoró (Facene) e foi organizada pelos próprios alunos. Apesar de não ter vínculo com a organização do evento, a instituição publicou uma nota de repúdio sobre o ocorrido.

Pelo perfil do Instagram da turma, os formandos também manifestaram indignação e afirmaram que não tiveram conhecimento das vestimentas do convidado durante a festa.

Em nota, a Facene informou que não possui vínculo com a organização do evento, por se tratar de uma festa organizada pelos alunos, e declarou que “tomará medidas para reforçar a comunicação com os formandos e a comunidade sobre a ausência de vínculo institucional com eventos privados, revisará as orientações sobre o uso de espaços e parcerias externas, quando existentes, e envidará esforços para cooperar com os organizadores do baile, a fim de apurar os fatos e evitar a repetição de episódios semelhantes”.

De acordo com o cerimonial do evento, organizado pela empresa Master Produções e Eventos, o adolescente era convidado de duas irmãs formandas e chegou ao local acompanhado dos pais após as 23h, sem qualquer vestimenta considerada inadequada.

Ainda segundo a organização, após participar do cerimonial, às 00h18, quando as formandas foram chamadas como a 9ª colocação na sequência de 47 formandos, ele e a família permaneceram no evento até aproximadamente 00h30, período em que o cerimonial ainda estava em andamento, e então deixaram o local.

A empresa informou que, em um momento pontual e sem o conhecimento do cerimonial, houve a troca de roupa para a realização de registros fotográficos de cunho pessoal.

Em nota, a Master Produções e Eventos afirmou: “A Master Produções e Eventos repudia de forma veemente qualquer ato, símbolo ou manifestação relacionada ao nazismo ou a ideologias de ódio. A apologia ao nazismo é crime no Brasil, e não compactuamos, não toleramos e não aceitaremos esse tipo de conduta em eventos sob nossa responsabilidade”.

O Ministério Público informou que o procedimento extrajudicial foi instaurado para coleta de informações sobre o caso.

NOTÍCIAS RELACIONADAS