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Editorial

Finalmente começa o debate sobre o RN real

Confira o editorial do Agora RN desta quarta-feira 3
Editorial
03/12/2025 | 04:57

Já não era sem tempo. No apagar das luzes de 2025, finalmente os pré-candidatos ao Governo do Estado começaram a dizer o que pensam sobre a gestão pública e a apresentar suas propostas para o Rio Grande do Norte. Até agora, o que havia era um deserto de debate, mas a realidade começou a mudar – e a sociedade precisa estar vigilante aos que eles estão dizendo.

O primeiro a se manifestar foi Rogério Marinho (PL). Nas entrevistas, o senador tem defendido “medidas impopulares” para contornar a grave crise fiscal que o Estado enfrenta. Diz que tem “coragem” para adotar providências que não são agradáveis, mas, segundo ele, necessárias para dar mais saúde financeira ao RN.

Finalmente começa o debate sobre o RN real - Foto:

Desde que anunciou sua pré-candidatura ao governo, Rogério já falou em medidas como congelamento de salários (com recomposições apenas de perdas inflacionárias) e criação de um plano de demissão voluntária para servidores. Mencionou também a necessidade de repactuar a relação com os Poderes, cobrando do Judiciário, do Legislativo, do Ministério Público e do Tribunal de Contas a devolução das sobras orçamentárias. Além disso, já argumentou a favor da privatização da Caern. Seus aliados também defendem ou a privatização da Uern ou a entrega da Universidade ao Governo Federal.

Eis que surge um contraponto ao senador bolsonarista. Em entrevista à TV Agora RN nesta terça-feira 2, o também pré-candidato Allyson Bezerra (União) desafiou a lógica de Rogério Marinho e apresentou novo ponto de vista. Para o prefeito de Mossoró, o problema do Estado é outro. Em sua visão, a solução dos problemas do Estado passa por uma gestão mais moderna e eficiente, e não por demissões de servidores e cortes lineares dos orçamentos dos Poderes.

Em um ponto da entrevista, ironizou as ideias de Rogério Marinho, as chamando de “soluções mágicas”. Defendeu o Judiciário, a Uern e o serviço público de modo geral. “Eu não acho que o problema está nos 15 desembargadores ou nos juízes que o Estado tem. (…) O problema do Estado não é a Uern, que forma mais de 90% dos professores que vão para as escolas da rede municipal e da rede estadual e até da rede privada do Estado. (…) O servidor em si não é o problema do Estado”, declarou.

A proposta de Allyson Bezerra para enfrentar a crise fiscal do Estado é a adoção de uma gestão mais eficiente, com controle rígido de insumos e prestadores de serviços, digitalização e encurtamento de processos e redução de burocracia. Sobre servidores, ele defende uma revisão administrativa sem penalizar o bom servidor. O foco, segundo ele, é combater funcionários que, por exemplo, estejam recebendo sem trabalhar. Falou, também, que o Estado precisa ter um inventário de seus imóveis e se desfazer daqueles que possam gerar receita significativa.

“Isso é custo? Sim, é muito custo. Quando você coloca a quantidade de recurso que você utiliza em um mês e multiplica por 12, você vai ver a quantidade de milhões que você está economizando em um ano. E por que isso? Você dá transparência, rastreabilidade, controle, condição dos órgãos de controle de saber o que está, de fato, acontecendo”, declarou o prefeito.

A pretensão deste editorial não é apontar qual caminho é o mais correto. Acima de tudo, este jornal celebra e exalta que o debate sobre a realidade do Estado finalmente comece a ganhar tração.

É positivo que os pré-candidatos comecem a sair apenas do debate vazio sobre direita e esquerda, da disputa sobre nomes e costuras políticas, e passem a falar sobre a realidade de como será o Estado a partir de 1º de janeiro de 2027.

Que isso não pare por aqui! Pelo contrário: é fundamental que outros pretendentes a ocupar o cargo máximo do Estado também apresentem suas ideias.

E daqui deste editorial vai uma provocação a Cadu Xavier, o nome oficial do PT até agora para a disputa de 2026. O que pensa o secretário de Fazenda da atual gestão sobre essa questão? Dois pré-candidatos iniciaram o debate. Agora seria relevante que o campo governista apresentasse seu entendimento. Afinal, como contornar a crise fiscal: com melhor gestão ou reduzindo o tamanho do Estado e enxugamento despesas? Ou as duas coisas?

Este AGORA RN, como veículo imparcial e independente, busca praticar o jornalismo sério e profissional, se afastando do debate político. Isso cabe aos políticos, não a jornais, emissoras de TV e rádio ou blogs. O papel da imprensa, que o AGORA RN se dispõe a ter, é pautar de maneira responsável o debate acerca da coisa pública no Rio Grande do Norte e dar transparência à forma como o dinheiro público está sendo gerido.